SOUTHAMPTON, INGLATERRA – Diz-se que a primeira impressão é a que fica. No caso do Harmony of the Seas, novo navio da armadora Royal Caribbean, ela é assustadora — no bom sentido, claro. Com 362m de largura, 70m de altura e 227 mil toneladas, o gigante dos mares é atualmente o maior navio de passageiros do mundo, podendo receber até 6.780 hóspedes em 2.747 cabines (fora os 2.100 tripulantes). O que, trazendo para a realidade leiga, seria o equivalente a um prédio de 20 andares. O navio, que saiu do porto inglês de Southampton dia 20 de maio para sua viagem inaugural, faz atualmente cruzeiros pelo Mediterrâneo, antes de se posicionar no Caribe no fim do ano.

Passado o “susto” inicial, é hora de embarcar antes que as sirenes soem. Na entrada, atendentes aguardam munidos de tablets para fazer o check-in ou simplesmente finalizá-lo, para quem já tiver iniciado o processo pela internet. Para localizar seu deque e cabine, o viajante conta com telões interativos, próximo aos elevadores, com um mapa que indica o melhor caminho. Os elevadores panorâmicos têm no chão uma plaquinha que informa o dia da semana, em inglês, o que fará toda a diferença no quarto ou quinto dia de viagem.

Dividido em sete “bairros” — Central Park, Royal Promenade e Boardwalk, entre eles — o Harmony of the Seas tem, espalhados por seus 18 deques, restaurantes de chefs renomados, teatros, spa, lojas, cassino, boates e atrações recreativas, como piscinas com parque aquático, tobogãs, carrossel, tirolesa, parede de escalada e minigolfe. É um verdadeiro parque de diversões flutuante, para adultos e crianças. Feito sob medida para famílias.

— O que combina com o mercado brasileiro, em que a maioria dos hóspedes são casais com filhos — disse o vice-presidente da Royal Caribbean para América Latina e Caribe, Ricardo Amaral.

JANTANDO COM ALICE

Se tudo é superlativo para quem viaja no Harmony of the Seas, com a diversão não poderia ser diferente. E a maior delas fica a cargo do The Ultimate Abyss, um tobogã que desce o equivalente a dez deques (cerca de 20 metros). Com um tapetinho deslizante, o escorregador é capaz de fazer o passageiro mais aventureiro perder o fôlego (mesmo que seja apenas por 13 segundos, o tempo de descida). Se a ideia for um passatempo em terra mais “firme”, mas com a mesma agitação, o musical “Grease” pode ser uma ótima pedida. Ou quem sabe apostar uns dólares no cassino, relembrar canções preferidas no karaokê, arriscar uns passos de salsa na boate latina, tomar um drinque feito por um barman robô no Bionic Bar…

Os restaurantes também são destaque a bordo. Os oito do Harmony contam com opções capazes de agradar até os gostos mais exigentes. Estão lá o Jamie’s Italian, grife do famoso chef Jamie Oliver; o asiático Izumi, de Travis Kamiyama e o Wonderland, inspirado no filme “Alice no País das Maravilhas”, que mais que uma refeição, oferece uma experiência sensorial aos clientes e conta com um cardápio “mágico”, descoberto na hora, com a ajuda de um pincel. Além de alternativas mais populares (mas não menos apetitosas), como as lanchonetes Johnny Rockets e Starbucks.

Para ajudar na organização da agenda, cheia de afazeres, o passageiro tem à disposição um aplicativo para smartphones e tablets. Com ele, é possível reservar lugares nos restaurantes mais concorridos e acompanhar a entrega e retirada de bagagens na partida e na chegada, por exemplo.

E, no que diz respeito à internet, preocupação de dez entre dez passageiros, em terra firme ou não, o navio oferece o Voom, serviço de alta velocidade, considerado o mais rápido em alto-mar. Entre os pacotes disponíveis para navegação estão o “Surf” (US$ 12,99/dia) e o “Surf and stream” (desde US$ 17,99/dia), opção mais turbinada que inclui até serviços de streaming, como Netflix, e chamadas via Skype.

Mas engana-se quem acha que por sua magnitude, o “balanço do mar” não será sentido a bordo do “Harmony of the seas”. Mesmo com a ajuda de poderosos amortecedores, ninguém está livre de algumas chacoalhadas em alto-mar.