Ator Paulo Betti diz que até hoje perguntam se ele é gay após personagem de Téo Pereira

Por Redação Lima em 7 de junho de 2021 às 14:28 | Atualizado 7 de junho de 2021 às 14:28

São Paulo – Ao contrário do blogueiro Téo Pereira, seu personagem na novela “Império” (Globo), Paulo Betti, 68, não pensa só em cliques e likes. O ator diz que teve receio de não estar ajudando a promover um debate mais amplo sobre a causa LGBTQIA+ tanto na estreia da trama, em 2014, quanto agora, na reexibição em horário nobre.

“Ele teve muitas resistências quando começou a aparecer”, lembra o ator em entrevista à Folha de S.Paulo. “Houve logo uma reação de alguns blogs que diziam que era muito caricato, que poderia prestar um desserviço à causa LGBT. No primeiro momento, fiquei pensando: será que estou dando tiro no pé? Jamais desejaria fazer algo que fosse negativo.”

Betti diz, porém, que conseguiu reverter a preocupação ao conversar com um primo, que é homossexual e vive no interior de São Paulo. “Ele me ligou e disse que [o personagem] estava fazendo o maior sucesso, que da maneira que eu representava, fazia bem para ele”, conta. “Aí fui me aliviando dessa perspectiva de realizar algo que fosse contrário ao movimento de liberação, o que eu sempre acreditei.”

Também ajudou o fato de que a reação das pessoas ao redor dele foi a melhor possível. Ele recorda que a novela estreou dois meses após o início das filmagens, mas que “você percebe na hora que está gravando o câmera, o iluminador, o contrarregra, a figurinista dando a resposta para você.”

Depois da estreia, a repercussão foi ampliada. “Eu via na rua as reações das pessoas”, afirma Betti, ao celebrar que o mesmo ocorre agora que a novela é reexibida –por causa do adiamento das tramas inéditas gerado pelo fechamento dos Estúdios Globo durante a pandemia e pela lentidão das gravações com os rigorosos protocolos de segurança.

“Hoje, revendo a novela, parece que o personagem está fazendo sucesso de novo”, avalia. “Quando eu passo, as pessoas gritam ‘Cu-ru-zes’, que é o bordão do personagem. São geralmente homens. Eles querem abrir uma comunicação comigo, fazer um contato, tirar sarro… As pessoas pedem para eu falar o bordão, é bom.”

Ele afirma que o personagem já veio praticamente pronto nos roteiros do autor Aguinaldo Silva, 77. “Assim que eu recebi o texto a primeira coisa que eu percebi é que tinha um ‘ê’ puxado, diversos ‘êêês’. Isso estava no texto dele, como que eu vou falar isso? Vinha escrito ‘quêêêridooo’. Eu fui tentar descobrir.”

 

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