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AM pede apoio da Força Nacional; governo cita ‘limite físico e psicológico’ de policiais

Da redação | 10/01/2017 09:13

Após mais uma rebelião de presos que deixou ao menos quatro mortos em Manaus, o governador do Amazonas, José Melo (Pros), pediu ao governo federal o apoio da Força Nacional de Segurança.

No ofício encaminhado ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, Melo chega a citar que a situação no Estado está levando os servidores da área de segurança pública a “limites preocupantes” e diz que a nova rebelião motivou o pedido de auxílio da Força Nacional.

“O trabalho que está sendo feito desde o dia 1.º de janeiro, não só no Sistema Prisional em si, mas ainda na busca incessante da captura dos foragidos e no aumento do policiamento investigativo e ostensivo nas ruas de Manaus e no Interior do Estado, está levando os envolvidos (Polícia Militar, Polícia Civil, Secretaria de Segurança Pública, Inteligência) a limites preocupantes, do ponto vista físico e psicológico”, diz o documento.

Ainda segundo o pedido de Melo, o envio da Força Nacional ao Amazonas “tem por finalidade o necessário apoio ao Sistema Prisional deste Estado, que se encontra em dificuldades financeiras em face da crise nacional, daí que os gastos correspondentes sejam arcados pelo Governo Federal”.

Seis unidades prisionais de Manaus são geridas pela empresa Umanizzare, que recebeu do governo do Estado repasses de ao menos R$ 651 milhões ao longo de quatro anos. Entre elas está o Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), onde 56 detentos foram assassinados entre os dias 1º e 2.

Presídio desativado foi reaberto para receber detentos
A rebelião da madrugada deste domingo ocorreu na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, localizada no centro de Manaus. O local, que ficou desativado por três meses por falta de estrutura e segurança, foi reaberto no dia 3 de janeiro para receber detentos após os massacres que deixaram 60 mortos em dois presídios.

À noite, alguns presos da cadeia foram levados pelo Samu, escoltados pela Polícia Militar, para hospitais. Em nota, a Secretaria de Comunicação do governo do Amazonas informou que, após a contagem final de presos, verificou-se que alguns precisavam de atendimento médico devido a “ferimentos e escoriações de natureza leve”.

Também neste domingo, a Polícia Civil informou que três corpos foram encontrados na área de mata que fica ao redor do Compaj.

Na sexta (6), o governo já havia pedido apoio da Força Integrada de Atuação do Sistema Penitenciário, vinculada ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. No pedido, o governador solicita a “disponibilização temporária, de agentes federais de execução penal, que trabalham em presídios federais, para garantir o reestabelecimento da ordem nos presídios estaduais públicos, ainda que atualmente administrados por empresas privadas”.

Em oito dias, 99 presos assassinados no país
O Ministério da Justiça agendou para o dia 17, em Brasília, uma reunião com secretários de todos os Estados e do Distrito Federal para tratar da crise no sistema penitenciário. O governo também autorizou, este domingo, o envio de ajuda para Rondônia e Mato Grosso, que está em alerta máximo após as sangrentas rebeliões no Amazonas e em Roraima.

De acordo com a pasta, na reunião do dia 17 serão discutidas medidas “imediatas” para a crise, com base em relatórios que estão em elaboração. A previsão é de que se discuta também a implantação de medidas do Plano Nacional de Segurança, lançado na semana passada, como a criação de 27 núcleos de inteligência na área e um cronograma de execução dos recursos federais liberados para a área em 2016.

Somente nos oito primeiros dias de 2017, foram 99 presos mortos no Brasil, mais de 12 por dia. Foram 64 mortes em Manaus, outras duas na Paraíba e os 33 presos mortos em Boa Vista. Em 2016, 372 presos foram assassinados em presídios no Brasil, pouco mais de uma morte por dia, segundo levantamento feito pelo UOL.

*Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil

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