Ex-governadores são os grandes culpados pela falta de leitos e oxigênio no sistema de saúde do Amazonas

Por Almeida em 23 de fevereiro de 2021 às 14:07 | Atualizado 23 de fevereiro de 2021 às 14:07

Amazonas – A crise no Sistema de Saúde do Amazonas é uma consequência de anos de má gestão pública. Com a pandemia do novo Coronavírus os danos causados pela ineficiência das Administração passadas da coisa pública e pela corrupção se refletiu nos graves problemas estruturais que assolam o Estado. Há colapso no atendimento dos hospitais de Manaus, onde, além da ausência de leitos para pacientes graves, faltam cilindros de oxigênio para os internados com a doença.

O Amazonas teve que transferir pacientes para outros estados e o Distrito Federal pela falta de insumos básicos.

Entre os anos de 2003 e 2019 os os ex-governadores, Eduardo Braga (MDB), Omar Aziz (PSD), José Melo e Amazonino Mendes (Podemos), tiveram ‘em mãos’ mais de R$ 28,5 bilhões para investir na área da Saúde mas não aplicaram devidamente o recurso e isso se refletiu no período pandêmico do estado. A informação consta no portal da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).

Além de não suprir a rede pública de saúde do interior do Estado com nenhuma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) instalada, o cenário da pandemia – com a necessidade de instalações de hospitais de campanha – demonstraram que os ex-gestores não ampliaram, consideravelmente, a rede hospitalar pública da capital. Nos últimos anos também não houve uma ampliação considerável no número de leitos de UTIs instalados na capital, com os números evolutivos estagnados.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde em dezembro de 2009, havia 202 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo instalados em Manaus, e 10 anos depois, em dezembro de 2019, 364 leitos, o que revela uma ampliação, em uma década, de apenas 162 leitos a mais. Somente em dezembro de 2020, durante a pandemia, que o número aumentou para 536 leitos de UTI à disposição da população.

Se observados os grandes hospitais da rede pública que estão, hoje, atendendo e tratando os casos graves de covid-19 em Manaus, nota-se que o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto foi inaugurado em 1986 pelo então governador Gilberto Mestrinho; outro hospital de referência que atende, hoje, casos graves da Covid-19 na capital, é o Hospital Delphina Rinaldo Abdel Aziz, que teve sua primeira fase inaugurado 20 anos depois pelo então governador José Melo.

Braga quer intervenção federal

O atual senador Eduardo Braga, que teve R$ 9,4 bilhões para investir em Saúde em seus dois mandatos como governador, pediu intervenção federal no Amazonas em razão da crise na saúde alegando ineficiência por parte da atual gestão do governo do Estado para conter o avanço da pandemia.

“Venho em nome do povo amazonense, pedir a Vossa Excelência que decrete intervenção federal no Estado do Amazonas em face da caótica situação de desorganização e calamidade no enfrentamento da pandemia da Covid-19, com grave comprometimento da ordem pública e de direitos fundamentais do povo amazonense, especialmente no que se refere a sua capital, Manaus”, escreveu o senador em um trecho de ofício enviado ao presidente Jair Bolsonaro.

Segundo site da SES-AM, em seu primeiro ano como governador (2003), Eduardo Braga administrou na pasta da Saúde R$ 740.732.134,68; no segundo ano (2004), R$ 884.731.376; no terceiro ano (2005), R$ 1.016.537.229; no quarto ano (2006), R$ 1.098.139.504; no quinto ano (2007), R$ 1.225.904.747, no sexto ano (2008), R$ 1.206.872.025; no sétimo ano (2009), R$ 1.591.672.061 e no oitavo ano de mandato (2010), R$ 1.705.030.986,81. Porém, não equipou o interior do Estado com leitos de UTI.

 

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