Manaus – Você lembra da saga Mansão do Amazonino no Tarumã, polêmica envolvendo o ex-governador em meados de 2001? Consistiu na aquisição do ‘Negão’ de uma casa de 2,5 mil metros quadrados, às margens do Rio Tarumã. Ela foi avaliada, à época, em R$ 1,5 milhões (quase R$ 10 milhões, se for colocada em valores atualizados), de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM).

A compra do imóvel foi efetuada no momento menos propício para o luxo. O povo amazonense perecia. A economia brasileira passava pelo reajuste fiscal da segunda fase do Plano Real. Era um momento de verdadeira instabilidade nas vidas de famílias das classes sociais mais baixas, que precisavam de um governante mais estadista.

À época, o então deputado estadual Mário Frota denunciou a compra, que além de ter sido um escárnio contra o povo, também valeu como prova do enriquecimento ilícito de Amazonino Mendes, visto que a mansão nem mesmo constava na declaração de renda do então governador.

Devidamente acusado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por Frota e Eron Bezerra (PCdoB) na época, o ‘Negão’ alegou que a casa foi fruto de um empréstimo da Caixa Econômica Federal. O valor: 300 mil, quantia muito inferior àquela que os órgãos imobiliários provaram a casa valer.

A CPI não foi para frente. O então presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Lupércio Ramos, era filiado ao mesmo partido de Amazonino, e coincidentemente engavetou o requerimento. A justificativa: que a mansão havia sido construída pelo cidadão Amazonino, e não pelo governador. Como Lupércio Ramos realizou essa distinção entre pessoa pública e privada, num escândalo de quase dez milhões de reais, é um mistério, para não dizer canalhice.

Pleito consciente

Às vésperas das eleições municipais 2020, o povo manauara tende a esquecer os absurdos de gestão que velhos caciques da política amazonense já cometeram em décadas se mantendo no poder a qualquer custo. Seja dando a cara a tapa, seja nos bastidores, o fato é que existe um grupo que fez da máquina pública um verdadeiro plano de carreira.

Diante disso, é dever do cidadão que se recusa ser ludibriado mais uma vez por um populismo barato, relembrar os escândalos nos quais estiveram envolvidos alguns dos nomes mais antigos das gestões de Estado e capital amazonense. O voto consciente para o pleito deste ano é o ponto de partida para uma política manauara livre dos estigmas do enriquecimento ilícito às custas da miséria do povo.