Manaus (AM) – No início desta manhã de terça-feira (03), o Delegacia de Combate a Corrupção (DECCOR), realizou vários mandados de buscas e apreensões em endereços de servidores públicos e empresários de Manaus. Entre eles está o ex-diretor da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania(SEMASC), Maronilson Barros Monteiro, conhecido como Mauro, e que também seria funcionário do vereador Danilzio Elias Souza, mais conhecido como Pastor Dante. Além do Vereador Elias Emanuel que foi citado como o secretário que facilitava mais as coisas. 

Em áudio enviado com exclusividade ao Portal CM7, é possível ouvir os empresários relatando sobre as cobranças de propinas dentro do programa SOS Funeral, feitas por Mauro.

Entenda como funcionava o esquema:

Mauro usava do seguinte mecanismo; solicitava uma grande quantidade de caixões, que ao chegarem nas fábricas, ficavam lá por meses, gerando atraso financeiro e prejuízo ao empresário. Ao enfraquecer as vendes da empresa, ele buscava os caixões, e efetuava o pagamento, mas exigindo ter certa porcentagem deste valor – 10 a 20%.

E ainda um dos homens, que não quis ser identificado, revela que somente este ano repassou mais de R$100 mil à Maronilson, e que por esta quantia alimentar um corrupto, as férias e décimo terceiro salários dos funcionários do mesmo, estão em atraso.

Vale Lembrar:

O sistema funerário entrou em colapso entre os meses de abril e maio, quando o estado passou pelo pico da pandemia da Covid-19. Mais de 4,4 mil pessoas morreram vítimas da Covid-19 até este mês de novembro.

Durante Coletiva: 

O delegado Guilherme Torres, titular da Especializada falou sobre a operação ‘Máfia dos Caixões’, deflagrada manhã desta terça-feira (03/11), por volta das 6h, na Colônia Japonesa, zona norte de Manaus, que resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão na residência de ex-diretor financeiro, investigado por corrupção passiva.

“Eles atuavam da seguinte maneira: as pessoas de baixa renda que precisavam do serviço funeral, a Prefeitura tinha que oferecer essas urnas, mas, em um determinado momento, os empresários forneciam, faziam a emissão de uma nota no valor X e, em cima dessa nota, o ex-diretor é suspeito de solicitar 10 a 20%, se não, o serviço parava”, explicou o delegado

A polícia informou o ex-diretor era lotado em uma secretária municipal desde 2017, mas a prefeitura informou em nota a exoneração do ex-servidor desde 2019.

NOTA DE ESCLARECIMENTO PREFEITURA DE MANAUS

A Prefeitura de Manaus esclarece que a operação deflagrada pela Polícia Civil, na manhã desta terça-feira, 3/11, envolve um ex-servidor da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), exonerado no Diário Oficial do Município (DOM), edição 4.535, de 8 de fevereiro de 2019. O município reforça que não coaduna com nenhum ato de ilicitude e que tem dado todo o apoio necessário aos órgãos que atuam na apuração dos fatos, para que as devidas medidas legais e administrativas possam ser adotadas.

Em maio deste ano, quando houve a denúncia do suposto envolvimento do ex-servidor em ação de recebimento ilegal de dinheiro, a Semasc encaminhou ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) dados sobre processos licitatórios, contratos e operacionalização do serviço SOS Funeral, destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica que não podem arcar com as custas do sepultamento.

É importante destacar que os contratos são estimativos, ou seja, as urnas são solicitadas conforme a demanda do serviço, sendo pago aquilo que foi efetivamente entregue, nos valores unitários previamente licitados e que sequer podem ser alterados por mera liberalidade do gestor. Vale ressaltar, ainda, que cada tamanho de urna licitado possui um valor diferenciado e previamente estabelecido.

Por fim, a Prefeitura de Manaus reforça o compromisso de se preservar a idoneidade do serviço público, se colocando à disposição dos órgãos de controle para os esclarecimentos devidos.