Se você está em isolamento ou em quarentena, ou ainda se tem passado muito tempo sem sair de sua casa, é provável que esteja se sentindo ansiosa(o), frustrada(o), preocupada(o), com medo, irritável.

A pandemia do novo coronavírus tem pautado o noticiário e a vida cotidiana. A avalanche composta por notícias ruins chega a todo momento, potencializada pelo poder das redes sociais de fazer com que ela seja compartilhada e atinja diversas pessoas instantaneamente.

Assim, as pessoas são coagidas a lidar com as informações e o cérebro reage como se estivesse em uma situação de perigo, o que pode levar ao estresse crônico e à ansiedade. É esperado que estejamos frequentemente em estado de alerta, preocupados, confusos, estressados e com sensação de falta de controle frente às incertezas do momento. Além disso, o isolamento social, o medo de contágio e a perda de membros da família são agravados pelo sofrimento causado pela perda de renda e, muitas vezes, de emprego. Estima-se, que entre um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma manifestação psicopatológica.

Durante a pandemia, na China, profissionais de saúde relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%) e, no Canadá, 47% dos profissionais de saúde relataram a necessidade de suporte psicológico. No Brasil, um estudo da Universidade do Estado do Rio (Uerj), revelou que casos de ansiedade e estresse mais do que dobraram, enquanto os de depressão tiveram aumento de 90%. Entre os dias 20 de março e 20 de abril, 1.460 pessoas de 23 Estados responderam a um questionário online com mais de 200 perguntas. O porcentual de pessoas que relataram sintomas de estresse agudo na primeira etapa da coleta de dados (entre 20 e 25 de março) foi de 6,9% para 9,7% na segunda rodada (de 15 a 20 de abril). Entre os casos de depressão, o salto foi de 4,2% para 8%. A crise aguda de ansiedade pulou de 8,7% para 14,9%.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os porcentuais médios esperados desses problemas na população são: estresse, 8,5%; ansiedade, 7,9%; depressão, 3,9%;

O estudo revelou ainda que mulheres são mais propensas a sofrer com ansiedade e depressão durante a epidemia, as que possuem dupla jornada de trabalho, porque se sentem ainda mais sobrecarregadas acumulando tarefas domésticas e cuidados com os filhos em casa. Outros fatores de risco são a alimentação desregrada, doenças preexistentes e a necessidade de sair de casa para trabalhar.

A situação de isolamento é estressante, porém, há várias medidas que podem ser adotadas para reduzir seu estresse e manter a calma. Evite o uso de álcool e drogas. Isso pode piorar a sua situação. Evite isolar-se. O contato social tem efeitos protetores sobre a saúde mental. Mantenha uma rotina saudável, com bons hábitos alimentares e atividade física regular. Espiritualize-se, se você segue alguma prática religiosa ou espiritual que lhe dá conforto e paz de espírito, mantenha-a ativa. Converse com outras pessoas, procure comunicar-se regularmente com pessoas que fazem você se sentir bem através dos vários aplicativos de conversa disponíveis na Internet. Seja gentil com os outros, a solidariedade melhora o bem-estar psicológico das pessoas. Divirta-se para evitar o tédio e reduzir a ansiedade. Também é muito importante que você planeje atividades de lazer e de higiene mental. Peça ajuda profissional, se a situação é mais grave ou sobrepassa sua capacidade de lidar com as dificuldades.

Fontes: The Lancet, Exame e Nações Unidas.

Dr. Ewerton Wanderley
Médico generalista do SUS e voluntário da Cruz Vermelha Brasileira do Amazonas.

@drewertonwanderley