O movimento antivacina prega que essa forma de imunização é prejudicial à saúde. As redes sociais são um dos principais meios de propagação dessas ideias, muitas vezes, postadas em sites e blogs com conteúdo de baixa credibilidade — mas que atingem várias pessoas. 

A origem do movimento está em um artigo publicado em 1998, em um dos periódicos científicos mais renomados do mundo, o Lancet. Nele, o médico inglês, Andrew Wakefield, sugeria uma relação entre a vacina tríplice viral (contra o sarampo, caxumba e rubéola) com o autismo.

Anos mais tarde, foi provado que o estudo era nada mais nada menos do que uma fraude. O objetivo de Wakefield, que teve a sua licença médica caçada, era lucrar com um imunizante contra o sarampo. Contudo, antes que a constatação de fraude fosse feita, o artigo foi suficiente para que várias pessoas iniciassem o movimento antivacina.

O ano de 2018 marcou a volta de uma doença que já era considerada erradicada no Brasil: o sarampo. Foram 1673 novos casos confirmados até setembro do ano em questão, com 8 mortes. Na Europa, a ocorrência da enfermidade aumentou em cerca de 400%, apenas em 2017, com mais de 20 mil casos e 35 mortes.

Outra doença que ameaça voltar a aparecer, depois de ser erradicada em 1990, é a poliomielite, que causa paralisia infantil. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 300 cidades brasileiras estão com cobertura vacinal abaixo de 50% — visto que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é 95%.

Os pais adeptos do movimento, e que se recusam a vacinar as suas crianças, pensam que estão tomando uma decisão individual, mas a verdade é que acabam afetando todo o mundo. Com cada vez mais pessoas vulneráveis, mais chances os agentes invasores têm de causar doenças. Assim, as famílias voltam a correr os mesmos riscos de séculos atrás, quando condições “simples” causavam milhares de mortes.

A desinformação pode trazer consequências graves à sociedade, como a vulnerabilidade e, até mesmo, mortes que poderiam ser evitadas.

É preciso ter em mente que, ao vacinar, as pessoas não estão apenas se protegendo. Quando os agentes infecciosos se multiplicam, eles não afetam somente quem escolheu não tomar vacina, mas também aqueles que por vários motivos não podem ser imunizados: por sofrerem de alguma alteração imunológica, não terem idade suficiente, ou porque onde moram não têm acesso à vacina na rede pública, por exemplo. 

O movimento antivacina deve ser um assunto de saúde pública, pois traz riscos sérios às famílias. Nesse contexto, é fundamental impedir que a desinformação gere consequências graves. Em caso de dúvidas sobre a imunização, procure sempre o auxílio e a opinião de um profissional especializado. 

Dr. Ewerton Wanderley
Médico generalista do SUS e voluntário da Cruz Vermelha Brasileira do Amazonas.