Muito se discute sobre a depressão e como ela impacta mais e mais na vida das pessoas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou recentemente que a depressão é a maior causa de incapacitação e invalidez no mundo, acometendo em torno de 350 milhões de pessoas, mostrando um crescimento mais elevado do que se previa há uma década. No Brasil, 5,8% da população sofre de depressão, taxa acima da média global, que é de 4,4%. Isso significa que quase 12 milhões de brasileiros sofrem com a doença, colocando o país no topo do ranking no número de casos de depressão na na América Latina. Enquanto no mundo houve uma redução nas mortes por suicídio nos últimos anos, em cerca de 32%, o Brasil segue na contramão desta tendência, tendo registrado, entre 2006 e 2015, um aumento de 24% no número de suicídios cometidos pela população de 10 a 19 anos. 

A depressão consiste no humor deprimido, triste e na dificuldade de sentir satisfação ou prazer, principalmente. A ansiedade, as alterações de sono e de apetite, a concentração reduzida, o pessimismo e as ideias de culpa podem estar presentes. Essas sensações precisam durar, no mínimo, duas semanas e gerar impacto na sua vida, provocando dificuldade em realizar atividades. Nem sempre isso é fácil de medir, então se você sente alguns desses sintomas há mais de duas semanas, relate sempre ao seu médico.

Mas o que causa a depressão? Não temos uma resposta definitiva, mas sabe-se que um dos fatores é a predisposição genética para a doença, que influencia na química cerebral. O modo como reagimos aos fatores ambientais pode servir como gatilho para as crises, tais como traumas de infância, racionamentos abusivos, estresse, efeito de drogas lícitas, como o álcool, e ilícitas no organismo.

Existe tratamento para a depressão, com e exige acompanhamento psicológico e psiquiátrico prolongado. Quadros leves podem responder apenas com psicoterapia, mas nos quadros mais graves costuma ser necessária a prescrição de antidepressivos.

Para prevenir a depressão é recomendado reduzir os fatores de risco, equilibrando nossa vida, trabalho, lazer, vida social e religiosa. Tudo deve estar em equilíbrio. O “não tenho tempo” não pode ser desculpa.

Alterne atividades obrigatórias com pequenas atividades prazerosas;

Saiba seu limite, não se sobrecarregue;

Alimente-se de forma saudável;

Pratique atividades físicas;

Aprenda com o erro, trabalhando melhor o sentimento de culpa, e siga em frente;

Tenha uma atividade que te dê satisfação, um hobbie e dedique parte do seu tempo;

Busque tempo livre;

Evite álcool e drogas;

Durma bem (se você tem dificuldade para dormir, seu médico pode ajudar);

Encontre uma forma de relaxamento, como a meditação ou Yoga;

Faça pausas, aproveite o fim de semana e tire férias; e

Priorize sua vida. Ninguém é mais importante para você que você mesmo.

Depressão é uma doença como qualquer outra. Não é frescura, preguiça, loucura ou falta de força de vontade. Precisamos combater o preconceito para que mais pessoas possam ser ajudadas. Subestimar a depressão e não considerá-la uma doença leva a família a não concordar com o tratamento e até o próprio paciente a não buscar ajuda por não se reconhecer como doente. Quanto mais cedo a pessoa inicia o tratamento, melhor serão as possibilidades de um restabelecimento breve.

Dr. Ewerton Wanderley
Médico generalista do SUS e voluntário da Cruz Vermelha Brasileira do Amazonas.

@drewertonwanderley