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Artigo-Filosofia e contraste da fé

Postado por José Arimateia - 29/06/2018 14:38    

Foto: Reprodução

A filosofia é, sem sombra de dúvida, a origem de todas as ciências e a base de todo conhecimento científico. Não há como explicar as teorizações, das mais simples às mais complexas, sem enveredarmos pelo conhecimento logicista, contudo vemos, todos os dias, um movimento para confundir filosofia com ateísmo e lógica com ceticismo. Não raramente há pessoas confundindo esses conceitos e prestando um desserviço à própria causa da fé.

A ciência filosófica nunca foi inimiga da fé e, tão pouco, oposta à crença religiosa, mas com o tempo essa concepção chegou a ser confundida e extremante apregoada como verdade a ser combatida no meio religioso.

Infelizmente, ainda é muito incipiente, no Brasil, a cultura do estudo teológico e científico, há ainda poucas boas escolas nessa linha também. Colaboraram, e muito, para esse cenário os movimentos teológicos neopentecostais de meados do século XX na América Latina, sobretudo as teorias da prosperidade que se proliferaram no Brasil desde a década de 1970, inchando o país de templos que precisavam ser ocupados por “pastores” para conduzir os novos fiéis por esse novo “caminho” doutrinário e, infelizmente, a seara para construção teológica desses movimentos, é mais pautada na capacidade de eloquência que na capacidade de deduzir algo com clareza sobre um texto teológico.  Muitos líderes se intitulam pastores, mas sem nenhum preparo para isso, daí fracassarem pelo caminho.

A filosofia e a teologia nunca foram inimigas e nem opositoras, muito pelo contrário, sempre foram ciências auxiliares uma a outra, a fé, por sua vez, é que sempre foi o ingrediente dúbio deste amálgama. Diferentemente do que nos é pregado por muitos sacerdotes, a filosofia como um todo não é inimiga da fé, mas uma doutrina, em especial, o Ceticismo, foi brutalmente considerado opositor à fé. Como o Ceticismo é a doutrina segundo a qual o espírito humano não pode atingir nenhuma certeza a respeito da verdade, o que resulta disso é um procedimento intelectual de dúvida permanente, a Fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos, sendo assim o nó clássico que implica toda essa desavença.

Homens mais instruídos que já se dedicaram a elucidar essa desavença básica e elementar entre Fé e Ceticismo, mas não lograram êxito em suas concepções por um único motivo: quando se envolve Fé na questão, não há explicação humana razoável, ou você crê ou você não crê, simples assim.

O trabalho do Espírito Santo é feito pelo convencimento do homem em seu estado natural como criatura de Deus e ente pecador, quando o Espírito Santo o convence desta condição, o homem passa a ser “Filho de Deus” e também passa a conhecer uma coisa chamada Fé, a Fé, por sua vez, explica tudo, desde a teogonia judaico-cristã até a exegese dos dias que ainda hão de vir, e, para nós, isso basta. O que poucos conseguem perceber, é que a filosofia é parte disso tudo. Deus é ética, é razão, é compreensão, é lógica e a própria teoria do conhecimento. Deus é toda fonte de conhecimento existente, porque dele tudo se exauriu e um dia tudo se colapsará, nele, novamente.

Ainda, apesar do infortúnio destes tempos difíceis, temos a grata satisfação de vermos também um momento de grande primavera do conhecimento dentro das igrejas evangélicas pelo Brasil, um número muito grande de pesquisadores e estudiosos das escrituras tem surgido com excelentes materiais de excepcional conteúdo escolástico-filosófico, muito rico em beleza literária e harmonia entre conhecimento filosófico, teológico e a fé cristã.

Então, meus amados, não sejamos inimigos do saber filosófico, façamos como o apóstolo Paulo que estudou com um dos maiores mestres de sua época, Gamaliel, mestre do sinédrio e do saber secular. Paulo fez disso uma ferramenta para aumentar sua popularidade entre todos os povos do mundo antigo e assim levou o evangelho de Cristo a povos e pessoas de diferentes concepções ideológicas. Sejamos assim.

Artigo: Colunista José Arimateia

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