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Ameaças: O fim da Zona Franca de Manaus

Os "olhos" do mundo estão focados para a Amazônia do Brasil.

Da redação | 03/11/2017 17:14

Há décadas, o Modelo Zona Franca de Manaus vem sofrendo ameaças de formas direta e indireta, por parte de alguns estados brasileiros, em especial, do Sudeste do país. Essas ameaças, anteriormente, se pautavam em uma “guerra fiscal”, pois São Paulo, principalmente, sempre “brigou” para receber os mesmos benefícios concedidos à alguns produtos da ZFM, e em alguns casos, venceu a “briga”, ou seja, como diz o ditado: “Aos poucos vai comendo o mingau pelas beiras”.

Embora haja um esforço para que os produtos da ZFM sejam distribuidos em entrepostos nos demais estados da Amazônia Ocidental (Roraima, Rondônia, Amapá e Acre), e em cidades de outros estados, isso não garante, em nada, a sobrevida do modelo.

Se de direito, existem 3 vetores no Modelo, capazes de incrementar a economia de Manaus e da região metropolitana, na prática, atualmente, só temos o vetor industrial que respira em aparelhos, por conta das ameaças de morte que estão surgindo, como é o caso da proposta da Senadora Rose de Freitas do Espirito Santo, que insiste em implantar um modelo industrial naquele estado, com as mesmas características do de Manaus.

Mas, e os outros vetores? O vetor comercial representou uma época de enorme incremento à economia do Amazonas, até meados dos anos 90. Porém, com a abertura das importaçõs pelo governo Collor, nao suportou a concorrência e entrou em decadência, porque nao soube se reinventar.

E o Agropecuário? Esse nunca conseguiu ir avante, mesmo diante do enorme esforcço de técnicos da SUFRAMA, durante décadas.
Vale ressaltar que esse cenário geral não tem nada a ver com a competência ou incompetência do quadro de profissionais da Autarquia, mas, com o descaso que o Governo Central do Brasil vem dando ao Amazonas e a Amazônia, contigenciando os recursos da SUFRAMA, impedindo-a de exercer o seu papel no desenvolvimento da região.

Pois bem! Estamos diante de um cenário que incomoda aqueles que pensam coletivamente no Amazonas. Daí, nos perguntamos: Vamos aguardar deitados em berço esplêndido, o enfraquecimento da ZFM, sem buscar alternativas?
Houve um esforço no governo Melo de trabalhar uma Matriz Econômica Ambiental, na qual se identificou alguns segmentos que podem caminhar paralelo ao Polo Industrial de Manaus. No entanto, desses, podemos comentar aqueles que estão longe de ser realidade, por exemplo:

Madereiro. Esse pode ser trabalhado em uma linha de tempo muito distante, em função das prerrogativas ambientais. Até lá o PIM já pode ter ido a óbito, afinal, 50 anos foram dados como bonificação pelo Governo Dilma, mas na verdade, isso não garante competitividade. Só os incentivos fiscais não são suficientes para manter os empregos no Polo. Outros ingredientes são necessários, e nesse quesito, o estado do Espirito Santo leva vantagens largas.

Para o segmento mineral, não será fácil para um estado que sempre pregou ser ecologicamente correto, passar a abrir crateras no solo, mesmo na lógica do manejo ou da compensação ambiental. Os “olhos” do mundo estão focados para a Amazônia do Brasil.

A Piscicultura é algo muito distante no Amazonas. O estado importa peixes nobres como o tambaqui, de Rondônia e Roraima, invertendo épocas áureas em que o Amazonas era quem abastecia esses estados amazônicos.

Se formos falar de Cosmésticos, o Centro de Biotecnologia da Amazônia – CBA, ainda respira a falta de uma politica voltada para as pesquisas cientificas que incrementem bioprodutos com o selo Amazônia.

Então, com que o Amazonas pode contar a curto prazo? Ora, sem sombras de dúvidas: Com o Turismo. É claro!

Em um milhão e meio de quilômetros quadrados estão distribuídos os mais diversos e belos atrativos desejados pelo turista mundial. Não há necessidade de inventar nada nesse sentido. A não ser um espaço temático que possa aglutinar essas riquezas. É claro que a infraesttutura de acesso, a infraestrutura turística, a capacitação e a qualificação das pessoas, a ampliação da oferta turística, e a promoção e divulgação da

Marca Amazonas, são primordiais para que o destino alcance os resultados esperados com relevante participação no PIB estadual, beneficiando o maior numero de municipios turísticos. Mas, é preciso que haja uma vontade política de quem governa, dando a devida atenção ao setor, destinando orçamento e recursos compatíveis com os desafios que ele demanda.

Um destino turístico não se consolida da noite para o dia. Mas, uma coisa podemos afirmar: No Amazonas falta Vontade Política, e isso retarda o desenvolvimento sustentável dessa atividade que beneficia 52 outras, e que pode dar resposta, a curto prazo, pois muita coisa já caminhou.
Tenho Dito!

Colunista Oreni Braga – Ex- Secretária de Turismo do Amazonas por mais de 14 anos

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