Povoar é preciso”

Antes de iniciar devo esclarecer que, diferentemente da célebre frase do saudoso poeta Fernando Pessoa, a palavra “preciso”, neste texto, está empregada no sentido de “precisar” e não de “precisão”. Esclarecido esse ponto, podemos dizer: Sim, povoar é preciso. E digo mais: urgentemente.

Fenômenos nacionais e internacionais interferem diretamente na Segurança Pública do Estado do Amazonas, no que diz respeito ao interior do Estado.

Justifico:

As Farcs, no ano de 2017, assinaram acordo de desmobilização, desarmamento e reinserção no mercado de trabalho, com o Governo Colombiano. Acontece que nem todos assinaram o acordo, restando, assim, os dissidentes, que hoje são os responsáveis pela guarda e transporte das drogas, além de escoarem os armamentos por dentro do Amazonas e enviar aos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Portanto, a fragilidade da fronteira, repise-se, tem feito o Amazonas pagar um preço alto no combate à criminalidade, não obstante a todos os esforços do Estado no sentido de interceptar os carregamentos de droga.

Mas não é só: em Junho de 2016, morreu, na fronteira do Paraguai, o narcotraficante Jorge Rafat (considerado o maior criminoso e mais poderoso daquela tríplice fronteira), por obra do Primeiro Comando da Capital, que tem por objetivo dominar o crime em todos os Estados da Federação e se infiltrar em todos os presídios, além de buscar dominar as rotas do tráfico que ligam à Colômbia. A partir desse momento, a fronteira passou a ser dominada por essa facção criminosa, forçando o rival (Comando Vermelho) a coligar com facções menores pelo monopólio das demais rotas do tráfico.

Portanto, as ações policiais começaram a migrar para a área ribeirinha, fazendo, com isso, constante a presença do Estado. Acontece que a Polícia não pode e não deve ser a única responsável pela Segurança Pública, pois a própria Constituição Federal afirma que segurança é dever do Estado, mas responsabilidade de todos. Assim, necessário se faz a implementação de Políticas Públicas por parte das Prefeituras Municipais, principalmente dos Municípios que ladeiam o rio Japurá (principal expoente do tráfico). Além do mais, necessário se faz a participação efetiva das Comunidades e das Organizações não Governamentais no combate ao tráfico.

O Amazonas é nosso, do povo, e não dos traficantes! Ocupar com efetividade o território é o início da derrota do tráfico de drogas.

Guilherme Torres Ferreira

Delegado de Polícia