Iranduba- Sete suspeitos de desviar verbas de contratos federais no município de Iranduba, no Amazonas, foram presos pela Polícia Federal na Operação Dízimo, deflagrada em novembro de 2015. Foram presos, dois secretários da Prefeitura, o presidente da Comissão Geral de Licitação (CGL), dois assessores, um vereador e um empresário. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens e valores que somam R$ 52 milhões visando o futuro ressarcimento aos cofres públicos.

A operação contou com 70 policiais para cumprir 29 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, 16 de busca e apreensão, com foco na Prefeitura de Iranduba e na casa dos investigados, e dois de condução coercitiva nas cidades de Manaus e Iranduba. As investigações iniciaram quatro meses antes de deflagrada a operação.

A organização criminosa é composta por vereadores, secretários municipais, funcionários públicos municipais e empresários que atuam de forma estruturada, com divisão de tarefas e intensa movimentação financeira.

A PF-AM decidiu não divulgar o nome de todos os envolvidos, porém, confirmou que o então secretário de Finanças de Iranduba, Davi Queiroz, e ex-presidente da CGL, Edu Corrêa de Souza, estavam entre os presos. Investigações apontam que Queiroz seria responsável pelo colhimento da propina que era paga pelos empresários.

A organização

A operação da PF tinha como foco a fraude em licitações de contratos federais. A investigação iniciou com uma denúncia de irregularidade em contratos de transporte escolar, mas em seguida foi descoberto que a havia fraudes também em construções de Unidades Básicas de Saúde (UBS), perfuração de poços artesianos e até, pelas suspeitas da PF, de desvio na ajuda humanitária que a União enviou às famílias atingidas pela cheia dos rios.

O nome Dízimo foi dado em função dos empresários pagarem “um dízimo” proporcional ao valor do contrato que queriam aprovar. A quantia variava em até 30% do valor total do contrato. Uma parte iria para pagamento de propina de vereadores e outra para os próprios integrantes do esquema.

O pagamento da propina aos parlamentares participantes do esquema fazia com que estes não levantassem questionamentos durante análises de contas da prefeitura na Câmara Municipal de Iranduba

Fonte do Portal Contra Ponto9