Manaus – Nesta quinta-feira (5), o site ‘The Intercept Brasil’ publicou matéria,  informando que ao menos 30 alunas acusam professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) de assédio sexual desde 2013. 

De acordo com a matéria, as denúncias também foram levadas ao Conselho Tutelar, à polícia e ao Ministério Público estadual e federal. Ao todo, as acusações abrangem nove dos 16 campi do instituto, espalhados por oito municípios do Amazonas. As estudantes, todas entre 15 e 18 anos, relataram terem sido assediadas no ambiente escolar e fora dele.

Desde então, seis professores foram demitidos, um não teve o contrato temporário de trabalho renovado e outros 11 seguem dando aulas ou foram temporariamente afastados.

Apesar dos casos de assédios serem frequentes, as punições aos professores são raras. Das 18 denúncias apuradas, apenas seis resultaram em demissão e duas nem sequer foram oficialmente investigadas pelo Ifam. Entre os professores demitidos, apenas um respondeu a processo criminal e acabou condenado ao pagamento de quatro salários-mínimos e a 485 horas de trabalho comunitário.

Uma das primeiras denúncias surgiu ainda em 2013 quando sete alunas do Ifam de Maués, interior do estado, relataram sofrer assédio sexual do professor Jonathas Paiva do Nascimento, titular da disciplina de meio ambiente. A maioria dos casos, porém, começou a vir à tona a partir de 2017, após serem realizadas campanhas de conscientização sobre assédio e abuso sexual em todos os campi do Ifam.

As vítimas do professor, com idade entre 15 e 18 anos, relataram que ele passava a mão nos seus corpos, oferecia presentes, fazia perguntas de cunho sexual, tentava agarrá-las à força e as ameaçava para que ficassem caladas. Em depoimento no PAD que resultou na demissão do professor em 2014, uma das alunas afirmou que preferiu perder a bolsa a suportar as tentativas dele de passar as mãos nas suas coxas e nádegas.

 A maior parte dos professores seguem lecionando como se nada tivesse acontecido.