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Vendas do comércio recuam 1,5% e têm pior janeiro desde 2005

Da redação | 10/03/2016 10:00

RIO – As vendas do comércio abriram 2016 em baixa de 1,5%, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. O resultado é o pior para o mês desde 2005 (-1,9%) e se igualou a 2006. Frente a janeiro do ano passado, o volume de vendas caiu 10,3%. Foi a décima vez seguida em que houve variação negativa nessa comparação e a mais intensa desde março de 2003 (-11,4%) e a maior para janeiro desde 2001. Em 12 meses, o volume de vendas acumula queda de 5,2% — a perda mais forte da série histórica, iniciada em 2001, mantendo a trajetória de baixa que começou em julho de 2014 (4,3%).

Já a receita das vendas do comércio ficou no campo positivo em todas as comparações. De dezembro para janeiro ficou estável em 0,1%; frente ao mesmo mês do ano passado, a alta foi de 1%; enquanto no acumulado em 12 meses, o crescimento foi de 2,8%.

O varejo ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e de material de construção, encolheu 1,6% no volume de vendas na passagem de dezembro para janeiro. A receita nominal caiu 0,7%. Frente ao mesmo mês do ano, as vendas caíram 13,3%, enquanto a receita cresceu 4,7%. No acumulado dos últimos doze meses, as perdas foram de -9,3% e -2,3%, respectivamente.

De acordo com o IBGE, a fraqueza das vendas do comércio se deve, entre outros fatores, a uma elevação dos preços acima da inflação oficial. Os combustíveis subiram 23,7% e a alimentação no domicílio, 14,2%, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses até janeiro ficou em 10,7%. A restrição ao crédito e as altas taxas de juros também contribuíram para o resultado no vermelho, assim como a redução da renda e do número de trabalhadores com carteira assinada, que recuou 2,8% de janeiro de 2015 para o mesmo mês de 2016.

QUEDA EM 6 DAS 8 ATIVIDADES

Na passagem de dezembro para janeiro, o IBGE registrou queda em seis de oito atividades. Os principais destaques negativos vieram de móveis e eletrodomésticos (4,3%), que caiu pela segunda vez seguida, acumulando perda de 12,3%; e de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que tem o maior peso no varejo e recuou 0,9%, pelo terceiro mês seguido.

O segmento de combustíveis e lubrificantes caiu 3,1%, enquanto outros artigos de uso pessoal e doméstico perdeu 1,8%; tecidos, vestuário e calçados, 0,5%; e livros, jornais, revistas e papelarias 0,1%.

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos ficou praticamente estável (0,1%). Já o setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação teve forte alta de 1,6%

No varejo ampliado, a baixa de 1,6% foi puxado principalmente por material de construção, (-6,6%), que em dezembro crescera 3,2%, seguido por veículos e motos, partes e peças (-0,4%).

Frente a janeiro de 2015, o recuo de 10,3% no volume de vendas foi o mais intenso desde março de 2003, quando caiu 11,4%. E as oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas e boa parte de dois dígitos: móveis e eletrodomésticos (-24,3%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-5,8%); combustíveis e lubrificantes (-14,1%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-12,5%); tecidos, vestuário e calçados (-13,8%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-24%); livros, jornais, revistas e papelaria (-13,3%). Só artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos ficou praticamente estável, com leve recuo de 0,2%.

A queda de 13,3% frente a janeiro do ano passado no volume de vendas do comércio varejista ampliado é a mais acentuada da série histórica. De acordo com o IBGE, esse comportamento se deve ao desempenho negativo de veículos, motos, partes e peças (-18,9%), que responde por 38% da taxa global. A redução das vendas no segmento de material de construção (-18,5%) também influenciou o resultado total do varejo ampliado em janeiro.

RESULTADO POR ESTADOS

Na passagem de dezembro para janeiro, as vendas varejistas recuaram em 17 das 27 unidades da federação. Os piores resultados foram registrados no Rio de Janeiro e no Espírito Santo e Rio de Janeiro, ambos com queda de 3,1%.

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