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Mercosul em crise cancela cúpula de presidentes

Da redação | 28/06/2016 19:30

BUENOS AIRES e BRASÍLIA – O Mercosul está passando por um de seus piores momentos e como reflexo de uma crise interna cada vez mais profunda os países do bloco decidiram não realizar a cúpula de presidentes do meio do ano, segundo confirmou ao GLOBO uma alta fonte da chancelaria argentina. Na última segunda-feira, a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, se reuniu com seu colega de pasta uruguaio, Rodolfo Nin Noboa, em Montevidéu, e no encontro ficou definido que no próximo mês de julho será organizada apenas uma reunião de chanceleres.

Com o comércio intra e extra bloco em baixa, a evidente falta de sintonia entre os chefes de Estado do Mercosul acentua a deterioração de um processo de integração que, segundo analistas, atravessa um período crítico.

Procurado pelo GLOBO, o governo brasileiro disse ter tomado conhecimento do cancelamento pela mídia argentina, mas consideraram que a suspensão, já era um fato. A explicação dada pela fonte argentina foi “a situação atual” dos países que integram o Mercosul, basicamente, a crise política, social e econômica em que está mergulhada a Venezuela. A mesma fonte não confirmou se, como está previsto no calendário oficial do bloco, a Venezuela assumirá, no encontro de chanceleres, a Presidência Pro Tempore, exercida atualmente pelo Uruguai.

Outras fontes comentaram que os governos da Argentina, Paraguai e Brasil não consideram conveniente que os venezuelanos assumam a presidência do Mercosul, o que implica comandar o processo de integração por um período de seis meses. No próximo semestre, deveriam ser dados passos importantes na negociação de um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE). Uma eventual presidência venezuelana é vista com preocupação e como um potencial elemento perturbador de um processo que, por si só, já que complicado.

— Estão sendo discutidas diferentes maneiras de resolver este momento, que é delicado — disse uma alta fonte de Casa Rosada.

A única certeza, até agora, é de que os presidentes Mauricio Macri (Argentina), Horacio Cartes (Paraguai), Tabaré Vázquez (Uruguai), Nicolás Maduro (Venezuela) e o interino brasileiro Michel Temer não se encontrarão em Montevidéu, como muitos imaginaram até ontem.

— Já aconteceu algo similar na União de Nações Sul-americanas (Unasul), não é dramático. Não estão dadas as condições para uma reunião de chefes de Estado — apontou outra fonte do governo argentino.

INDEFINIÇÃO SOBRE VENEZUELA

Nas últimas semanas, a data da agora cancelada cúpula presidencial do bloco mudou diversas vezes. O martelo foi batido por Malcorra e Nin Noboa, com o respaldo, segundo confirmaram assessores da chanceler argentina, dos demais países do bloco.

— O Uruguai está firmemente apegado às normas internacionais e vai cumprir os compromissos estabelecidos. As normas do Mercosul estabelecem a rotação (da presidência do bloco) semestral. O Uruguai tem a presidência e quando termine, em julho, vai transferi-la. Antes ou depois veremos as condições — declarou o chanceler uruguaio.

Claramente, os países do Mercosul ainda não definiram se a Venezuela vai, de fato, assumir a presidência do bloco. Na última segunda, Nin Noboa afirmou que o Uruguai continuará à frente de negociações externas, tentando acalmar um pouco as águas.

Na última cúpula de presidentes, em dezembro passado, no Paraguai, houve muita tensão e poucos progressos. Macri, que fez sua estreia em cúpulas regionais, questionou a existência de presos políticos na Venezuela e foi alvo de duríssimas acusações da chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez.

Na opinião de analistas argentinos, em termos econômicos, o bloco está recuando de forma expressiva.

— Já são quatro anos consecutivos de queda do comércio com o resto do mundo. Nesse período, as exportações do Mercosul, em conjunto, despencaram 20%. Hoje, dois dos países membros têm problemas políticos, econômicos e sociais — afirmou Marcelo Elizondo, diretor da empresa de consultoria DNI.

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