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Grécia exige esclarecimento do FMI sobre posição a respeito da dívida

Postado por - 03/04/2016 16:30    

ATENAS – O gabinete do primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou neste domingo que o premier pediu que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, esclarecesse a posição do órgão com relação ao plano de resgate financeiro do país. No sábado documentos divulgados pelo site Wikileaks sugerem que a entidade considera sair do plano de resgate financeiro do país como estratégia para forçar os credores europeus a aliviar a dívida grega.

Os credores do FMI e da União Europeia vão retomar as negociações sobre a condição fiscal e o progresso das reformas na Grécia em Atenas nesta segunda-feira, buscando concluir uma revisão do plano de resgate que poderá desencadear empréstimos futuros e abrir caminho para uma possível reestruturação da dívida

A revisão já foi adiada duas vezes desde janeiro devido a uma rixa entre os credores sobre o tamanho estimado do déficit fiscal da Grécia até 2018, além de divergências com o governo Atenas a respeito das reformas do sistema de aposentadorias e a gestão dos empréstimos inadimplentes.

Os documentos mostram supostas transcrições de uma teleconferência em 19 de março de três autoridades do Fundo que sugerem a saída da entidade do programa de ajuda. Os representantes do órgão estariam discutindo formas de exerce pressão sobre Grécia, Alemanha e União Europeia para alcançar um acordo em abril.

Segundo as transcrições, eles falam sobre uma ameaça de que o fundo pode não participar do terceiro resgate do plano total de € 86 bilhões. Isso seria uma forma de forçar os credores, principalmente a Alemanha, a concordar com um alívio da dívida antes do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia em junho.

— Ele (Tsipras) enviou uma carta à Lagarde ontem à noite, pedindo que ela esclareça a posição oficial do Fundo nas negociações — informou uma autoridade do gabinete do premier à Reuters. — Ele também expressou sua preocupação quanto à credibilidade das negociações após o vazamento.

Um porta-voz do FMI em Washington disse no sábado que a entidade não comenta “vazamentos ou supostos relatos de discussões internas”, mas assegurou que o FMI já expôs sua posição publicamente.

— Nós declaramos claramente o que pensamos ser necessário para uma solução durável dos desafios econômicos enfrentados pela Grécia, que direcionam a Grécia a um caminho de crescimento sustentável apoiado por um conjunto crível de reformas que vão de encontro ao alívio da dívida pelos parceiros europeus — disse o representante.

O govermo alemão e a assessoria do Ministério das Finanças do país se negaram comentar a documentação vazada. A Alemanha já reiterou outras vezes que o FMI é um agente importante no resgate grego, mas que o país não apoia o alívio da dívida exigido pelo órgão internacional. Algumas autoridades alemãs também dizem que eles acreditam que há diferentes pontos de vista sobre a Grécia no FMI.

A chanceler alemã Angela Merkel deve se reunir com Lagarde em Berlim na terça-feira.

TSIPRAS: FMI ESTÁ JOGANDO

O governo grego interpretou o vazamento como um esforço do FMI em chantagear Atenas com um possível empréstimo para forçá-la a ceder aos cortes nas pensões, que foi rejeitado no país. No entanto, a transcrição, caso seja autêntica, parece indicar que Thomsen tinha maior intenção de exercer pressão sobre Merkel para conceder o alívio da dívida e manter o Fundo envolvido no resgate.

Tsipras disse ao jornal grego Ethnos:

“Parece que algumas pessoas estão jogando com foco em nos desestabilizar. Nós não permitiremos que Thomsen destrua a Europa”.

A suposta teleconferência vazada envolve Poul Thomsen, chefe do departamento europeu no FMI, Delia Velculescu, chefe da equipe do órgão na Grécia, e a representante do Fundo, Iva Petrova. No documento, eles sugerem que Bruxelas está aderindo a pressupostos irreais sobre o déficit orçamentário da Grécia para minimizar a necessidade de alívio da dívida, que é impopular na Alemanha e em outros países da zona do euro.

Quando concluída, o novo aporte à Grécia injetaria € 5 bilhões, necessários ao país para quitar pagamentos estatais atrasados e dívidas a vencer com o FMI e o Banco Central Europeu.

ENCONTRO DO FMI EM ABRIL

Os ministros das Finanças da zona do euro devem começar a discutir o alívio da dívida para a Grécia, em paralelo às reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em meados de abril, se houver acordo com Atenas sobre um pacote de reformas, disseram autoridades da zona do euro.

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