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Diretor da Nippon Steel acusa sócio de ação ilegal na Usiminas

Da redação | 05/07/2016 18:20

SÃO PAULO – Uma das controladoras da Usiminas, a japonesa Nippon Steel & Sumitomo Metal (NSSMC) veio a público nesta terça-feira para denunciar que o processo de escolha do novo presidente da siderúrgica, Sergio Leite, em maio passado, foi “irregular e ilegal”. A empresa já entrou na Justiça pedindo a destituição de Leite, mas pela primeira vez o diretor na NSSMC, Yoichi Furuta, também membro do Conselho de Administração da Usiminas, falou sobre o assunto e publicou um comunicado am alguns jornais do país denunciando a irregularidade.

Furuta afirmou que os sócios da Nippon da Usiminas, os ítalo-argentinos da Ternium-Techint divulgaram informações “que não correspondem” à verdade para justificar a troca do antigo presidente, Rômel Erwin de Souza. Segundo a Ternium, a gestão de Rômel era ruim e ele deveria ser substituído. O diretor da NSSMC afirmou que a indicação do presidente da siderúrugica deve ser consensual, mas a Ternium e Nippon não chegaram a um consenso sobre o nome do presidente e a composiçao da diretoria.

— Rômel estava conduzindo a renegociação da divida da empresa com os bancos, não houve ilegalidade ou irresponsabilidades em sua gestão. Ao contrário, ele foi bem sucedido em seus esforços para reestruturação da Usiminas. Não havia sentido na sua substituição e surpreendentemente o presidente do Conselho, Elias Brito, indicado pela Ternium, aceitou os votos pela indicação de Leite. Foi uma decisão ilegal e irregular do Conselho de Administração, que violou o acordo de acionistas, e portanto a administração anterior deve voltar — afirmou Furuta.

Este é mais um capítulo de uma briga pelo poder entre os principais sócios da Usiminas, que já se estende há pelo menos dois anos. Por enquanto, não há saída à vista. Furuta disse que um acordo amigável seria muito melhor, mas existe uma diferença do modo de administrar e na forma de governança corporativa pretendidas pela Nippon Steel e pela Ternium.

O diretor admitiu que uma das possíveis soluções seria uma divisão da Usiminas, mas isso não está em discussão. Ele disse que a Nippon pretende cumprir o contrato de acionistas, que vigora até 2031, mas reconhece que ‘o acordo não é perfeito’.

— Há uma diferença de raciocínio entre os sócios em relação a Usiminas. Para nós, a siderúrgica é uma empresa independente e vamos fazer de tudo para que se desenvolva. Para a Ternium, ela é apenas mais um negócio do grupo na América Latina que traz sinergia – disse Furuta.

Perguntado se a briga não atrapalha a tomada de decisões estratégicas, Furuta lembrou que mesmo com a posição contrária da Ternium, o aumento de capital da Usiminas foi aprovado, assim como a paralisação da produção em Cubatão, no litoral de São Paulo que era cara e prejudicava as finanças da empresa.

— Não é a situação ideal (a briga), mas é possível chegar a um acordo em decisões para a recuperação da Usiminas — afirmou.

Furuta afirmou que além da divisão da Usiminas outras duas alternativas para encerrar o conflito entre os sócios seria negociar uma política de governança que atendesse a ambos. A terceira opção seria a entrada de uma siderúrgica para fazer uma “reestruturação” no setor, com uma fusão ou aquisição. Mesmo assim, o diretor afirmou que não está nos planos da Nippon vender sua parte da Usiminas ou mesmo deixar o Brasil, onde a empresa já atua há 60 anos. Ele afirmou que não sabe quando o setor siderúrgico deverá apresentar uma melhora. Para ele, o setor precisa de ‘otimizações’ e que ela devrria ser conduzida em nível nacional, mas com o atual quadro político isso fica mais difícil.

Procurada, a Terniun ainda não se manifestou. Em nota, a Usiminas informou que o diretor-presidente da Usiminas, engenheiro Sergio Leite de Andrade, trabalha há quase 40 anos na empresa, mantendo um relacionamento de mais de 35 anos com a Nippon Steel e de mais de 25 anos com o grupo Techint.

“No momento complexo por que passa o setor siderúrgico e a Usiminas, Sergio Leite reafirma o seu compromisso, como tem feito nos últimos 40 dias, de trabalhar de forma isenta e de buscar, no que couber à Diretoria Executiva, o consenso entre os sócios”, diz o texto.

Sobre a indicação de conselheiros pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Furuta afirmou que a CSN é a principal concorrente da Usiminas e teria intenção de desestabilizar a companhia. A Nippon Steel recorreu à Justiça contra a decisão do Conselho Administativo de Defesa Econômica (Cade) que permitiu à CSN indicar os conselheiros. O diretor da Nippon Steel disse que a informação divulgada pela CSN de que os japoneses teriam vendido o controle da Usiminas para a Ternium em troca de contratos exclusivos ‘com partes relacionadas’ de até R$ 20 bilhões não procede. Ele disse que um comunicado mais completo sobre o assunto será divulgado em breve.

— Os dados estão errados. Não temos nem 1% dos contratos com partes relacionadas — disse Furuta.

Procurada, a CSN ainda não se manifestou.

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