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Bovespa salta 3,8% e dólar cai a R$ 3,61 com parecer de Janot sobre Lula

Da redação | 08/04/2016 16:10

RIO – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) salta 3,77% nesta sexta-feira, aos 50.328 pontos, e o dólar recua 2,08%, a R$ 3,615, com os investidores reagindo ao noticiário político. A notícia que movimenta o pregão é de quinta-feira à noite, quando parecer assinado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que houve desvio de finalidade na decisão da presidente Dilma Rousseff de nomear seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, para chefiar a Casa Civil. O procurador afirmou que a atuação da presidente serviu para “tumultuar” as investigações. Na avaliação dos analistas, a decisão de Janot, ao afastar Lula do governo, enfraquece as tentativas de Dilma de fugir do impeachment.

As principais ações da Bovespa disparam. A Petrobras ON salta 6,63% (R$ 10,60), enquanto a Petrobras PN sobe 7,27% (R$ 8,27). Na Vale, a ordinária tem alta de 7,52% (R$ 16,14), e a PNA valoriza-se em 7,02% (R$ 12,04). Entre os bancos, o Banco do Brasil ON sobe 7,36% (R$ 20,12), e o Bradesco PN ganha 5,47% (R$ 27,55). O Itaú Unibanco PN valoriza-se em 6,37% (R$ 31,73).

Na ponta oposta do pregão estão as empresas exportadoras, que são prejudicadas pelo dólar mais fraco. A JBS ON cai 4,90% (R$ 9,70), enquanto a produtora de celulose Fibria cai 3,53% (R$ 29,16). As concorrentes Klabin e Suzano caem 3,08% (R$ 16,96) e 1,94% (R$ 11,08), respectivamente.

— A notícia de maior impacto para o mercado foi mesmo a do Janot. Seu parecer abre um espaço grande para discutir se a Dilma cometeu ou não uma improbidade administrativa, o que pode abrir espaço para investigá-la. O Lula é também o principal articulador político do governo, logo isso prejudica a articulação do governo contra o impeachment — disse Hersz Ferman, da Elite Corretora.

Alfredo Sequeira Filho, presidente da assessoria de investimento DNA Invest, acrescentou a influência positiva do ambiente externo e dos números da inflação divulgados hoje.

— Hoje, tudo conspirou para o bom humor dos mercados. Além das notícias relacionadas com o impeachment, hoje ocorre uma alta das commodities, fazendo as Bolsas subirem pelo mundo. Para completar, o índice de inflação veio abaixo do esperado, apresentando forte desaceleração. Isso aumenta as apostas de redução da taxa de juros, o que é ótimo para a Bolsa.

A inflação oficial em março foi de 0,43%, contra o 0,90% registrado em fevereiro, informou o IBGE. No mesmo mês de 2015, a taxa ficou em 1,32%. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 9,39%. No ano, é de 2,62%. O resultado para o mês é o menor desde 2012, quando ficou em 0,21%.

Como observou Sequeira Filho, os números de inflação também impactaram as expectativas sobre os juros. O contrato DI, de juros futuros, com vencimento em 2021 recuam de 14,16% ao ano para 13,79%. Atualmente, a taxa de juros de referência da economia brasileira está em 14,25% ao ano.

RUMO E BM&F BOVESPA DISPARAM

Na Bolsa, fora do “rali” político, um dos destaques é da empresa de logística Rumo, cujo papel ordinário avança 17,40% (R$ 3,17). Na noite de ontem, o Conselho de Administração da transportadora aprovou preço de R$ 2,50 por ação na operação de aumento de capital que fará, em um montante total de R$ 2,6 bilhões.

Também disparam as ações da BM&F Bovespa, empresa que opera a Bolsa brasileira. O papel ordinário avança 7,52%, a R$ 16,28. Ontem, após fechamento do mercado, a companhia informou que vendeu os 4% que detinha da CME Group, operadora da Bolsa de Chicago. O objetivo é financiar a compra brasileira Cetip, central de custódia e depositária de títulos de renda fixa.

— Para quem é acionista da BM&F Bovespa, é ótimo que a compra da Cetip comece a se concretizar. Para o restante do mercado, porém, é péssimo. Vai aumentar a concentração de um mercado já com pouca competição, o que deve resultar em elevação de taxas — criticou Sequeira Filho, da DNA.

PETRÓLEO PUXA BOLSAS PELO MUNDO

O ambiente externo também ajuda o comportamento do mercado brasileiro. O petróleo registra hoje a maior alta em quase dois meses, com os investidores especulando sobre reunião da próxima semana (dia 17), na qual Arábia Saudita, Rússia e outros grandes produtores discutirão a possibilidade de congelar a produção para elevar a cotação da commodity. O barril do tipo WTI sobe 6,8%, a US$ 39,78, enquanto o Brent registra valorização de 6%, a US$ 41,78.

Também influencia a cotação o fato de o estoque de petróleo dos EUA ter caído quase 5 milhões de barris na semana passada, enquanto os analistas previam redução de 3,2 milhões, informou o governo americano.

Outra influência vem da queda do número de plataformas de petróleo em operação nos EUA, que caiu 2,2% esta semana, ou 8 unidades, para um total de 354, segundo a consultoria Baker Hughes.

Além disso, declarações de membros do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) contribuíram para o bom humor. A presidente Janet Yellen disse na quinta-feira que a economia americana está em “trajetória sólida”, enquanto o o presidente o Fed de Nova York, William Dudley, afirmou nesta sexta que uma política cautelosa e gradual de elevação dos juros é apropriada para o momento.

As Bolsas europeias operam em alta, com o índice de referência Euro Stoxx 50 subindo 1,37%, enquanto a Bolsa de Londres sobe 0,89%. Em Paris, o pregão avança 1,17%, e em Frankfurt, 1,19%. Já o dólar recua 0,32% em nível global contra uma cesta de dez divisas, segundo o índice Dollar Spot.

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