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BC faz intervenção de mais de US$ 4 bi, mas dólar fecha em queda

Da redação por | 13/04/2016 18:00

SÃO PAULO – Em nova queda de braço com o mercado financeiro, o Banco Central não conseguiu impedir a queda do dólar. A moeda americana fechou em queda de 0,48% ante o real, a R$ 3,475 na compra e a R$ 3,477 na venda. A autoridade monetária tem sinalizado que não deseja a divisa abaixo de R$ 3,50 e ao longo do pregão fez intervenções que superaram os US$ 4 bilhões, mas a expectativa de uma mudança no governo tem levado investidores a se desfazerem da moeda, com perspectiva de melhora na economia. Foi também o ambiente político e maior otimismo global que fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a fechar em alta de 2,21%, aos 53.149 pontos, maior patamar desde julho do ano passado.

O BC renovou a artilharia neste pregão e, em cinco pregões (dois no período da manhã e três à tarde), colocou no mercado US$ 4,250 bilhões em contratos de swap cambial. Essa estratégia ainda deu certo na primeira parte do pregão, quando a divisa chegou a R$ 3,564. Mas a moeda passou a perder força após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-SP), formalizar o processo de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, previsto para ser concluído no domingo.

— O mercado acredita fortemente que vai ter uma troca de governo. Há a possibilidade de novos nomes de credibilidade maior na equipe econômico e isso é bem recebido, então o dólar cai — afirmou Jefferson Luiz Rugik, diretor da Correparti Corretora de Câmbio, ao explicar a queda de braço entre BC e mercado.

Toda essa disputa entre mercado e BC ocorre no mercado futuro da moeda, em que os investidores, por meio de contratos financeiros, arbitram com a expectativa de variação da moeda. Na terça-feira, a autoridade monetária já havia colocado US$ 8 bilhões nesse mercado que, como tem efeito de compra, significa dizer que está retirando liquidez desse mercado, que está com um volume de negócios de mais de US$ 16 bilhões, enquanto a média é de US$ 10 bilhões.

Para investidores, o BC sempre irá atuar quando a moeda ficar muito próximo dos R$ 3,50. Abaixo disso, deixa de ser interessante para a recuperação das contas externas, uma vez que parte desse ajuste está vindo pelo aumento das exportações – quanto mais alto o dólar, mais o produto brasileiro fica atrativo no exterior.

— O dólar sobe com a atuação do Banco Central, mas está tendo uma entrada de recursos de estrangeiros. Essa postura mais agressiva do BC leva a entender que de alguma forma ele quer criar uma barreira psicológica e tentar segurar a cotação na faixa dos R$ 3,50 — avalia Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Outra consequência dessa estratégia do BC é reduzir sua exposição ao estoque de contratos que são corrigidos pela variação cambial – em menos de um mês, essa exposição já foi reduzida para menos de US$ 90 bilhões, ante mais dos US$ 108 bilhões existentes na véspera da retomada dos swaps reversos – que não eram feitos há 3 anos.

O dólar no Brasil foi na contramão do mercado externo. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg, subia 0,88% próximo ao horário de fechamento dos negócios no Brasil.

E enquanto o fluxo do mercado futuro está elevado, o Brasil tem atraído um volume limitado de recursos vindos do exterior pela conta financeira, que é por onde entra os dólares de estrangeiros que querem aplicar em ações, títulos ou outros ativos financeiros no país. O Banco Central divulgou nesta tarde dados sobre o fluxo cambial. No mês, até o dia 8, ele estava positivo em US$ 1,835 bilhão, sendo que US$ 1,548 bilhão veio da balança comercial. No ano, saldo está negativo em US$ 8,527 bilhões, que é a diferença entre as saídas de US$ 17,103 bilhões da conta financeira e uma entrada de US$ 8,576 bilhões na conta comercial.

BOLSAS EM ALTA

O Ibovespa fechou em seu maior patamar desde 14 de julho do ano passado. Um cenário econômico global menos conturbado, com melhores perspectivas em relação a China, alta de juros menos intensa nos Estados Unidos e recuperação do preço das commodities (em especial o minério de ferro e outros metais) contribuem para os ganhos nos mercados acionários nesta quarta-feira.

— O noticiário está positivo e o mercado está respondendo a uma maior chance de impeachment. Mas os preços já subiram muito e de forma apartada dos fundamentos econômicos. Conforme o quadro político se concretizar, o mercado tende a realizar um pouco. Isso vale também para o dólar — explicou Figueredo, da Clear.

Figueredo lembra ainda que, para o investidor, é importante sair da operação quando ela atinge o patamar esperado, ou seja, realizar o lucro, mesmo que a tendência ainda seja de alta. Essa é uma forma de evitar uma relação entre risco e retorno muito frágil.

Na Bolsa, mais uma vez, a alta foi sustentada pelo desempenho das ações de empresas ligadas ao setor de commodities. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) subiram 5,31%, cotados a R$ 9,49, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançaram 4,22%, a R$ 11,83. Essa alta ocorre apesar do leve recuo no preço do petróleo. O Brent registrava queda de 1,34%, a US$ 44,09, mas já se afastou das mínimas do início do ano, quando ficou abaixo de US$ 30, e a expectativa é que, no curto prazo, chegue a US$ 50.

No caso da Vale, as preferencias subiram 4,22% e as ordinárias registraram valorização de 4,42%. Essa valorização é consequência da alta do preço do minério de ferro na China, que voltou a ser negociado acima dos US$ 60. No ano, a valorização chega a 395.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 1,06% e o S&P 500 teve alta de 1%. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, registrou ganhos de 2,71%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, subiu 3,32%. Já o FTSE 100, de Londres, fechou com valorização de 1,93%.

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