Manaus – Políticos, autoridades e cientistas participaram, na noite desta quinta-feira (17), da abertura do II Simpósio Internacional Sobre Gestão Ambiental e Controle de Contas Públicas, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.

A abertura se deu com a palestra do biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, da University George Manso (EUA).

Considerado o “Pai da Biodiversidade” e com mais de 50 anos de estudos sobre a região amazônica, ele avalia que eventos como este dão ao estado do Amazonas a oportunidade de tomar a liderança mundial nas discussões ambientais.

  

“Temos a oportunidade de desenvolver uma nova visão para o futuro da Amazônia e também para ganhar apoio do resto do mundo. Temos que ter uma nova visão para o desenvolvimento na Amazônia. Um desenvolvimento que respeita a natureza e utiliza os produtos das matas e dos rios, incluindo uma infraestrutura sustentável, e não uma infraestrutura que destrói”, afirmou.
O evento é uma realização do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas e tem apoio do Ministério Público de Contas (MPC), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além da parceria de importantes instituições que tem apoiado a discussão acerca da formulação e implementação das auditorias ambientais no seio dos TCEs, como o Instituto Rui Barbosa (IRB) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Yara Lins dos Santos, presidente Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), destacou a importância do evento para a conscientização da sociedade sobre a importância de se priorizar a preservação da Amazônia. Ela conta que, ao fim dos três dias de evento, um documento será elaborado para direcionar as ações dos entes públicos com a finalidade promover o desenvolvimento sustentável.

“O TCE-AM, através da Carta da Amazônia, mostrará ao mundo a importância de se adotar, não só a conscientização, mas também práticas sustentáveis que, a longo prazo, poderá contribuir com a preservação da nossa Amazônia. Com educação ambiental os estados podem economizar milhões de reais e os Tribunais têm um papel importante neste processo, como por exemplo, com relação à redução de lixo plástico”, defendeu.

Já o Vice-Presidente do TCE, conselheiro Mário de Mello, que foi eleito na última terça-feira (15) como o novo presidente do TCE-AM, acredita que a gestão ambiental no estado do Amazonas vive um momento de grande esforço. Para ele, a este tema e o controle de gastos públicos estão intimamente ligados.

“Gestão ambiental implica em recursos públicos. Quem tem que arcar com os prejuízos e danos ambientais causados pela má gestão é o dinheiro público. Então esses dois temas são, na verdade, um só e o Tribunal de Contas tem sim a responsabilidade de fiscalizar e punir aqueles que prejudiquem o meio ambiente”, ressaltou.
O Conselheiro Júlio Pinheiro também participou do simpósio e comemorou o lançamento do aplicativo ‘Eu sou um Ecocidadão’, que deverá acontecer nesta sexta-feira (18). Segundo ele, o app servirá como uma forma de intermediação entre a população e o TCE.

“As pessoas já podem baixar o ‘Eu sou um Ecocidadão’ gratuitamente e fazer denúncias com relação a questões ambientais e outros problemas relacionados à gestão pública. É importante esta integração. É um mecanismo extremamente importante para que nós possamos, cada dia mais, proteger a Amazônia”, disse o conselheiro.
O prefeito de Manaus, Arthur Neto, também esteve no evento. Ele revelou que cerca de 60% dos investimentos da capital estão relacionados à sustentabilidade. Na opinião dele, Manaus é privilegiada por abrigar a maior parte preservada da Floresta Amazônica.

“A floresta amazônica amazonense é a que, de fato, ainda está de pé e é, portanto, o grande antídoto contra os malefícios do aquecimento global; precisamos lembrar também que ela é sustentada por um polo industrial que precisa ser reformado e apoiado e não hostilizado, porque é ele que mantém a floresta em pé”, defendeu.
Já o Governador Wilson Lima disse que mantém conversas com o TCE-AM na construção de como o estado deve se portar no que diz respeito à transparecia e aplicação dos recursos públicos, sobretudo nas questões ambientais.

“Todas as vezes que qualquer estado tenta pleitear investimentos, principalmente na área ambiental, a primeira questão levada em consideração é o equilíbrio das contas e a transparência com a qual o governo trabalha. Por isso, este é um evento importante para tratar de transparência e controle de gastos aliado à questão ambiental”, finalizou Wilson Lima.