Apesar da crise, o PIB do Amazonas apresentou o quinto maior crescimento do país em 2017, em dado consolidado mais recente, totalizando R$ 93,204 bilhões. A alta foi de 5,21%, bem superior à média nacional do período (+1%), mas o Estado se manteve na 16º colocação no ranking nacional, com uma participação de 1,42%. O PIB per capta subiu de R$ 7.353,15 para R$ 22.936,28 em uma década, embora tenha caído da nona para a 14ª posição.

Os maiores incrementos de PIB no período foram registrados em Mato Grosso (+12,1%), Piauí (7,7%), Rondônia (+5,4%) e Maranhão (+5,3%). Os únicos resultados negativos vieram de Rio de Janeiro (-1,6%), Sergipe (-1,1%) e Paraíba (-0,1%). Os dados foram divulgados pela Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), em parceria com o IBGE. A defasagem de dois anos ocorre em virtude da consolidação das estatísticas em todas as unidades federativas do Brasil.

A expansão do PIB amazonense foi puxada por impostos, líquidos de subsídios (+12,27%) e os setores de serviços (+7,21%) – que inclui o comércio varejista e foi puxado pelo consumo das famílias – e indústria. Tributos registraram R$ 14,743 bilhões (2017), contra R$ 13,131 bilhões (2016), alta de 12,27%. A arrecadação de ICMS (+26,92%) no mesmo intervalo, sendo que os maiores contribuintes vieram, na ordem, do comércio (34,46%), da indústria (24,39%) e dos serviços (6,82%).

Serviços (+7,21% e R$ 46,830 bilhões), que responde por 50,24% do PIB estadual, foi o único entre os três grupos de atividades que elevou sua fatia de participação na economia amazonense, de 57,5% (2016) para 59,7% (2017). Os destaques vieram de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (+7,5%) – após queda de 10,3% no ano anterior –, além de atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares. 

A indústria (+7,5%) também ajudou, embora sua participação na economia estadual tenha caído de 34,7% (2016) para 33,2% (2017). A queda relativa veio da indústria de transformação, pela perda de participação do refino de petróleo e coque, da fabricação de resinas e elastômeros, e da impressão e reprodução de gravações. Em volume, a alta de 11,2% das Indústrias de transformação foi puxada por informática e eletrônicos, bem como material plástico. A indústria extrativa recuou 11,6%.

Já a agropecuária (-3%) trilhou sentido inverso e reduziu sua fatia de 7,7% para 7,1% no valor adicionado bruto do Estado. Com R$ 5,604 bilhões totalizados em 2017, a atividade foi impactada pela produção florestal, pesca e aquicultura. A queda (-9,5%) veio da extração de açaí e de madeira em tora. A pecuária (-2,6%) caiu pela menor criação de bovinos. A agricultura (-0,6%) foi marcada por altas na produção da mandioca e açaí (plantado) e quedas nas culturas de laranja, abacaxi e melancia. 

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, se não fosse pelo “fraco desempenho” da agropecuária em extração vegetal e pecuária, além de algumas atividades da indústria, os resultados do Amazonas teriam sido bem melhores, gerando possibilidades de o Estado subir posições e aumentar sua participação no PIB nacional.

“No entanto, o crescimento total do PIB foi extremamente positivo, principalmente em ano de recessão, como foi 2017. É importante olhar para as atividades econômicas do Estado e ver quais são os gargalos e os potenciais. Em 2017, perdemos em algumas atividades que dependiam somente do nosso próprio desempenho, como a extração vegetal”, apontou.

Tendência positiva

Segundo a Sedecti, a perspectiva para 2018 e 2019 é de apuração positiva para todos os setores. “De acordo com o Banco Central, o índice de atividade econômica do Amazonas, que incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços, acrescidas dos impostos sobre produtos, prevê um aumento em 2018 de 3,59% na economia amazonense e em 2019 de 3,39%”, salientou o órgão, em texto divulgado à imprensa.

Para o titular da Sedecti, Jório Veiga, os resultados do Amazonas são animadores, principalmente quando se leva em conta os efeitos da crise sobre a economia, e a tendência é positiva para o PIB, no médio prazo. “Nossa expectativa é que haja um desempenho melhor ainda nos próximos anos, quando os projetos que estão sendo articulados pelo governo para expandir a atividade econômica para o interior e as ações para o fortalecimento do Polo Industrial de Manaus venham a se materializar”, concluiu. Fonte do Comércio