Manaus – O atual cenário político local, nacional e o impacto das mídias sociais no resultado das eleições municipais deste ano, foram alguns dos temas de análise em um programa, na tarde desta sexta-feira (17). Outro ponto importante debatido está às mudanças eleitorais em vigor que devem tirar vagas de políticos tradicionais na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e outras regiões do Brasil.

Para o cientista político Jack Serafim, até pouco tempo atrás, a opinião pública era formada com base em dados passados pelos veículos de comunicação tradicionais como jornal, rádio e televisão. “Hoje, na era da tecnologia, as redes sociais abrem espaço para novas ideias e opiniões. O que temos visto no processo político é uma ‘panela’ que passa de pai para filho, ou de um amigo para um ‘herdeiro’ político. E isso começa a mudar com a chegada das mídias digitais. Essas ferramentas permitiram que cada pessoa pudesse ter seu próprio meio de comunicação no instante que ela tem um celular e uma conta na rede social. O que tem permitido a juventude se colocar nesse processo político, e alcançar novas pessoas expondo seu ponto de vista sem uma superprodução e sem precisar pagar caro por isso”, afirmou Serafim.

Segundo ele, as novas mídias permitem ao eleitor reconhecer as práticas da velha política e reconhecer novas lideranças. “Eu diria que o sentimento da população é buscar alguém para seguir e se inspirar. A gente vive nesse momento um vazio de lideranças muito grande. Nomes importantes da política amazonense quase não conseguem se eleger nas últimas eleições, e isso demonstra que a população está tentando encontrar alguém, tá tentando fugir desse velho discurso e das velhas práticas. E aqueles que conseguirem se reinventar, voltar a conversar com a comunidade, voltar a estabelecer esse contato direto com a população, vão ganhar uma coisa que é muito importante nos dias atuais, que é a relevância. Que é aquilo que o eleitor quer ouvir, aquilo que o eleitor quer ver dentro da gestão, quer ver dentro do processo eleitoral. Então aquela pessoa que conseguir isso, com certeza ela vai ter espaço, seja ela da velha ou da nova geração de políticos”, avaliou.

O especialista diz, ainda, que sairá na frente o candidato que não ignorar as novas mídias. “Como fator chave, eu acredito sim que as novas ferramentas tecnológicas vão fazer a diferença. Alguns nomes conhecidos na política ignoraram isso e estão tendo muita dificuldade em se conectar com seu público. Eu costumo sempre dizer que a rede social não é ciência, a ciência é a comunicação e ela vai ser a ferramenta principal para que a gente possa chegar até as pessoas com facilidade, e a rede social democratizou que a sua ideia alcance novas pessoas”, afirmou Serafim.

Responsabilidade do Legislativo

Perguntando sobre o Legislativo estadual e municipal, Jack foi enérgico ao dizer que o problema não é a falta de políticas públicas, e sim de representantes que saibam de sua responsabilidade com a população. “A responsabilidade de executar políticas públicas são da Prefeitura e Governo do Estado. Mas a Constituição lembra que a responsabilidade de fiscalização é do Legislativo. Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas tem a responsabilidade de fiscalizar e garantir que a população esteja recebendo um serviço de qualidade. E nessa pandemia ficou muito claro que políticas públicas voltadas para saúde a nível nacional foram realmente deixadas de lado, elas foram empurradas com a barriga, e muitas pessoas morreram por causa disso e assim, é injusto dizer que a responsabilidade é somente do Presidente, do Governador, ou do Prefeito. A responsabilidade de fato também está no Legislativo que precisa cumprir a sua missão de fiscalizar”.

O cientista político destaca a responsabilidade da sociedade em entender a importância da avaliação e escolha do seu candidato. “Essa escolha não pode ser feita no dia da votação. Não pode ser qualquer pessoa. É preciso avaliar para que possamos ter na Câmara de Vereadores pessoas combativas, gente que vai lutar pelos interesses da população. E lamentavelmente há um excesso absurdo de Leis que sequer são fiscalizadas. E se hoje eu pudesse estar na Câmara de Vereadores, eu seria a pessoa que não teria recorde de novas leis, eu teria um recorde de Leis que seriam anuladas. Porque tem muita coisa aí que não faz sentido algum”, completou.

Novas regras eleitorais em vigor

Sobre o novo formato das eleições municipais, Jack avaliou as novas regras como “ótimo”. “Eu realmente adorei essa nova regra. Acho que nós realmente estamos caminhando para um processo de evolução democrática. E agora a ‘porrada’ será dentro dos partidos, você não vai se preocupar com coligações. O negócio ‘vai comer’ no centro do partido”, destacou.