Manaus – Em representação encaminhada na segunda-feira (15) ao brigadeiro do Ar Frederico Alberto Marcondes Felipe, chefe do Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), em Brasília, o deputado estadual Belarmino Lins (PP) pediu a adoção de providências urgentes sobre a empresa MAP Linhas Aéreas que há seis meses realiza voos entre Manaus e Carauari (distante 788 km da capital), no Alto Juruá, com a ocorrência de sucessivas panes, aterrorizando os passageiros.

De acordo com o líder progressista, nos últimos 90 dias as panes tornaram-se frequentes, colocando em risco as vidas dos passageiros que usam a linha em viagens constantes entre a capital do Estado e o município. A pane mais recente ocorreu no dia 15 de junho último quando uma aeronave da empresa foi obrigada a fazer um pouso emergencial no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.

Belarmino diz que na ocasião a aeronave teve que retornar ao aeroporto cinco minutos após ter feito a decolagem e por pouco não houve explosão, conforme depoimentos de alguns dos 34 passageiros em pânico. “Por isso, encaminhei representação ao brigadeiro Frederico Alberto clamando por providências rápidas do Cenipa antes que uma tragédia de largas proporções aconteça”, disse o parlamentar que também formulou apelo em favor da causa aos membros da bancada amazonense de deputados e senadores no Congresso Nacional.

Belarmino ressalta ser testemunha da grave situação envolvendo os voos irregulares da MAP na região do Juruá, tendo ouvido muitos protestos por parte de populares e políticos de Carauari, dentre os quais o vereador Airton Siqueira, durante visitas às suas bases eleitorais no município.

Em uma exposição de motivos enviada ao gabinete do deputado, Airton relata que a pane do dia 15 foi apenas mais um dos sérios acidentes envolvendo as aeronaves da MAP nos últimos meses. “Foram inúmeras vezes que o avião decolou de Manaus para Carauari e, dentro de 5, 10 ou 15 minutos de voo, teve que retornar à Manaus por conta de problemas mecânicos”, relata ele.

Segundo Airton, com relação ao pouso forçado no Eduardo Gomes, a aeronave teve que realizar o procedimento de forma arriscada, “pois o piloto jogou o avião de peito na pista, porque não conseguiu baixar os trens de pouso”. O vereador afirma que a empresa foi penalizada com a suspensão de seus voos até 5 de julho, “mas parece que a suspensão não serviu de nada, e o que se observa é um completo descaso da empresa na manutenção de suas aeronaves, nota-se que a MAP está sendo negligente e podemos dizer até irresponsável com a segurança de seus passageiros, porque já aconteceram duas panes seguidas no dia 10 de julho, quando a aeronave taxiou e não conseguiu decolar de Carauari, a aeronave retornou ao pátio e o vôo foi adiado para o dia seguinte. No outro dia, os passageiros embarcaram, mas a aeronave não deu partida, os passageiros tiveram que embarcar em outro avião para fazer a viagem”.

Nota da MAP Linha Aéreas:

Em relação às notícias veiculadas na data de ontem, a MAP Linhas Aéreas esclarece os seguintes pontos:

A companhia tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar voos no território nacional. Portanto, não procede a informação de que realiza voos irregulares. A empresa atua há seis anos na região Norte, atendendo a 14 municípios do Amazonas e Pará. Nesse período a companhia já voou mais de 10.900.000 km pela Amazônia e transportou mais de 700.000 passageiros.

No mês de maio, a MAP tornou-se a primeira companhia da região Norte a obter a recertificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), reconhecida internacionalmente como um dos mais criteriosos e exigentes atestados de excelência técnica e elevado padrão de qualidade e segurança operacional. A certificação e recertificação IOSA são concedidas pela Associação Internacional de

Transporte Aéreo (IATA), principal organização de auditoria na área da aviação, no mundo. Durante o processo, foram avaliados aproximadamente 900 itens na parte documental e de implementação.

Sobre a ocorrência do dia 15.06, no trecho Manaus – Carauari, a MAP informa que não houve nenhum tipo de punição por parte dos órgãos fiscalizadores para com a companhia. A informação não procede.

O que houve, naquela ocasião, foi um problema técnico, conforme amplamente divulgado pela empresa, obrigando o retorno da aeronave ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Apesar do pouso forçado, a tripulação seguiu as normas padrão para o tipo de ocorrência. Não há qualquer punição à MAP. A suspensão temporária da operação para o município ocorreu tão somente em função da readequação da malha, já que a companhia está com uma aeronave a menos na frota.

A MAP ressalta que as aeronaves da companhia passam por constante manutenção. Prova disso é que durante o Festival de Parintins foram realizados 122 voos e nenhuma intercorrência foi registrada. A MAP reforça que preza pela segurança dos passageiros e que, por isso mesmo, em situações de intercorrência, a tripulação tem a orientação para adiar/atrasar o voo, até que tudo esteja resolvido.

Há situações em que os voos sofrem atrasos ou são transferidos, que poderiam ser evitadas caso houvesse melhor infraestrutura para operação. Em Carauari, por exemplo, não é possível voar a noite. Então se for necessário um tempo maior para decolar de Manaus, dependendo do horário, o voo é cancelado pois perdemos o horário de retorno para a capital. Outra situação que também ocorre em Carauari, é que a largura da pista do aeroporto não comporta um avião modelo ATR – 72, impossibilitando assim, que outra aeronave possa ser acionada para realizar o voo.

Por fim, a MAP Linha Aéreas coloca-se à disposição e reforça seu compromisso com o desenvolvimento da região, contribuindo para conectar o estado ao restante do país e, assim, alavancar a economia e beneficiar a população local.