Manaus – O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Dr. José Bernardes Sobrinho é alvo de denúncias pela prática de crime de racismo, injúria e quebra de sigilo ético. Os médicos Mario Vianna, Patricia Sicchar e Mackson Oliveira registraram Boletim de Ocorrência (B.O) contra o presidente do CRM no 17º Distrito Integrado de Polícia (17º DIP), bairro Redenção, Zona Centro-Oeste de Manaus. 

Mario Vianna, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Simeam) relata que José Bernardes ofendeu sua dignidade e lhe faltou com decoro, publicamente. “Ele me chamou de vagabundo na frente de várias pessoas. Isso é um crime, pois fere minha honra, sou honesto e trabalho desde cedo zelando os princípios recebido por meus pais”, disse, acrescentando que, outra infração cometida pelo presidente do CRM foi a quebra do sigilo ético. “Ele anunciou diante de vários colegas que eu teria sofrido punição no Conselho e por isso, não concorri às eleições para o Regional, em 2018. É uma falta gravíssima cometida por um presidente de um Conselho”, denunciou.

A médica Patrícia Sicchar, diretora do Simeam, também foi vítima dos ataques cometidos pelo presidente do Conselho Regional de Medicina. Ela conta que ele se dirigiu a ela de forma discriminatória e ofensiva referindo-se à sua cor de pele. “Ele olhou para mim com expressão de nojo e me chamou de suja, você é suja, disse ele”, lembrou Patrícia Sicchar, com lágrimas nos olhos, destacando que na ocasião, teve uma crise de choro diante do ato cometido pelo presidente da entidade médica.

Já contra o jovem médico Mackson Oliveira, o presidente do CREMAM usou palavras de baixo  calão, denegrindo a imagem do profissional. “Ele me chamou de merda, imbecil filho da p*. Em determinado momento quando eu fiz um comentário sobre a necessidade de renovar o CRM, ele declarou que acabado está o meu c*”. Essa não é a atitude que eu espero do representante da profissão que eu escolhi seguir”, lamentou Mackson Oliveira.
 
As acusações contra o presidente do Regional estão previstos no Código Penal. Os crimes contra a honra estão previstos nos artigos 138, 139 e 140. Injúria Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro. (…). Pena – Detenção de um a seis meses ou multa. Caso o ofensor, na injúria, faça referência a raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, a pena aumenta, prevendo reclusão de um a três anos e multa.
 
De acordo com a Lei nº 7.716 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, a atitude do médico José Bernardes contra a diretora do Simeam, Patrícia Sicchar, pode ser considerado crime de racismo. No dia 09 desse mês o acusado foi notificado para comparecer ao 17º DIP, para prestar esclarecimentos, mas não compareceu. Uma segunda audiência foi marcada.
 
Os atos cometidos pelo autor aconteceram durante as eleições para os novos conselheiros do Conselho Federal de Medicina (CFM), nos dias 27 e 28 de agosto do ano corrente, na sede do CREMAM. Além das denúncias feita à Polícia Civil, o presidente do Simeam, Dr. Mario Vianna informa que já emitiu um documento administrativo com o relato dos casos, tanto para o para Regional, quanto ao CFM, em Brasília-DF.
 
Atualizada às 14h59

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CREMAM) tomou conhecimento de uma série de acusações envolvendo o Presidente desta Autarquia relacionadas ao Processo Eleitoral para Conselheiro Federal.

Neste sentido, o CREMAM adotará as providências cabíveis para apurar a veracidade dos fatos.

Manaus, 20 de setembro de 2019.

Dr. Emanuel Jorge Akel Thomaz de Lima
Secretário-Geral do CREMAM

Fonte: Abutre