Pela segunda vez consecutiva, o ex-proprietário da Norte Serviços Médicos, Vitor Vinicius Souto, que vendeu suas ações da empresa por R$ 5 milhões em fevereiro deste ano à atual proprietária, Cresilidea Moraes, não compareceu para participar da oitiva da CPI da Saúde que estava agendado para esta quinta-feira, 23. Por isso, os deputados da comissão aprovaram requerimento para condução coercitiva do depoente.

O advogado de Souto informou à CPI que o depoente não poderia participar da oitiva porque estava em Coari (a 363 quilômetros de Manaus) e não chegaria a tempo.

“Já foi aprovada uma condução coercitiva do senhor Vitor Souto que, pela segunda vez, não compareceu para a oitiva nessa CPI que consideramos uma falta de respeito com a comissão. Foi deferido hoje a condução coercitiva que será entregue à Casa Militar para que faça o procedimento correto”, afirmou o presidente do colegiado, deputado delegado Péricles (PSL).

Péricles ainda apresentou dois casos de superfaturamento envolvendo a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) que deram prejuízo aos cofres públicos em mais de R$ 1 milhão.

“São mais duas denúncias graves em relação à prestação de serviços da Norte Serviços Médicos, todos lembrando que iniciou com aquele absurdo dos serviços de lavanderia naquela quantidade absurda (44 toneladas de roupas lavadas em 13 dias), e agora chegamos a serviços ginecológicos que ela prestou no interior do Amazonas com colposcopia e conização com preços absurdos e quantidades que não correspondem a realidade especialmente no procedimento cirúrgico”, afirmou.

Na avaliação de Péricles, as novas investigações são algo que assusta pelos serviços prestados a Susam em 2017.

Segundo as investigações apontadas pela CPI, foram realizados exames de colposcopia e conização, ao preço unitário de R$ 8,6 mil em apenas quatro dias, em julho e agosto de 2017, pela Norte Serviços Médicos. A empresa recebeu R$ 868 mil pelos serviços, cobrando por 100 pacientes, quando na realidade o relatório só demonstra atendimento a 91 pacientes, enquanto que os nove pacientes “fantasmas” acrescentados custaram mais R$ 79,74 mil ao contribuinte.

O segundo caso envolve 965 exames efetivados, a R$ 230, totalizando R$ 221,9 mil mas efetivados em tempo não condizente com a técnica médica.

A CPI da Saúde volta a se reunir na próxima segunda-feira, 27, às 10h, com o depoimento do representante legal da empresa Mediplus Serviços Médicos e, a partir das 15h, a oitiva do representante da empresa WF Control Apoio a Gestão de Saúde e Atividades Empresariais Ltda.

Fonte: O Poder