A Ponte da Morte: Mais de 30 casos de suicídio desde que a ponte inaugurou em 2011

Já fizeram brincadeiras e sátiras com as mortes na ponte do Rio Negro. Pessoas brincam com a vida gravando vídeos andando a beira da morte e outras escolhem o meio mais violento de cometer o suicido sabendo que não escaparia com vida, são mais de 50 metros de altura e ninguém resiste a uma queda sem que fique totalmente quebrado.

O caso de desta semana da moça de 30 anos, jovem e bonita que se jogou abre uma polemica em torno da segurança da ponte para esses casos. O que poderia mudar para evitar tantos suicídios?

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Alguns casos para entender a idade e o perfil desse tipo de suicida.

10 de setembro de 2015 – Deyvison Thiago Gomes de Morares, 21, foi encontrado por populares em um estaleiro, próximo à Ponte Rio Negro. Antes do desaparecimento, o rapaz havia deixado uma carta e um vídeo no celular informando que pretendia se atirar da ponte, que liga Manaus ao município de Iranduba.

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A Polícia Civil informou que rapaz foi encontrado e encaminhado ao Serviço de Pronto Atendimento Joventina Dias, localizado na rua T 6, bairro Compensa 2, na Zona Oeste de Manaus, onde recebeu atendimento e, posteriormente, alta médica. Ele passa bem e já está em casa. Sorte desse rapaz  que escapou da morte.

Em 7 de Janeiro de  2015 – outra moça chamada Ketlen Oliveira de 22 anos também se jogou da ponte sem deixar nenhum bilhete ou recado para a família.

Em 26 de janeiro de 2016 – O corpo de uma pessoa ainda não identificada foi visto boiando no Rio Negro, em baixo da Ponte Rio Negro.

Policiais da 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) informaram que, até o momento, não têm a informações sobre o que aconteceu de fato, como se a vítima se jogou da ponte, se foi empurrada ou se o corpo foi trazido de algum lugar e ‘desovado’ no local.

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05 de janeiro de 2015– O Corpo de Bombeiros encerrou por volta de 19h30 as buscas por o corpo de um homem, aparentando 35 anos e identificado até o momento como Cleomildo Vitor dos Santos que soltou da Ponte Rio Negro. A vítima, morador do bairro Armando Mendes, Zona Leste de Manaus, de acordo com transeuntes que caminhavam na ponte entregou seus documentos e em seguida pulou de uma altura de mais de 160 metros desapareceu nas águas.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi ao local da residência do mesmo e falou com sua esposa, que não teve o nome revelado, e ela informou que estavam passando por um processo de separação e provavelmente esse tenha sido um dos motivos que influenciaram a ação do suicida.

De acordo com informações repassadas aos Bombeiros, o homem, acessou a parte de proteção da ponte e de lá mesmo com as pessoas pedindo para não saltar ele não atendeu e se jogou.

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20 de julho 2013 – Vitor Ribeiro dos Santos, 31, desapareceu na manhã deste sábado, ao saltar do eixo central da ponte Rio Negro por volta das 10h40.

Segundo o que foi apurado pela polícia, Vitor voltava de Iranduba quando começou a discutir com seu amigo, no auge da discussão, Vitor teria parado o carro no eixo central da ponte, tirado os tênis e se jogado no rio Negro.

Acionados, os bombeiros chegaram ao local para iniciar as buscas, mas um dos militares informou que dificilmente Vitor sobreviveria à queda de aproximadamente 40 metros, e seu corpo demoraria a ser encontrado por causa da forte correnteza do rio Negro naquele trecho. ( lamentei e chorei…Vitor era meu amigo)

Veja mais sobre o perfil de um suicida

Aspectos psicológicos da ação suicida

Os dados estatísticos e a identificação das patologias, embora importantes, não dão conta do entendimento dos mecanismos utilizados pelo indivíduo para voltar-se contra si mesmo, para dá cabo da sua vida. Na visão de Frankl (1985, 1989), a vida tem um sentido incondicional, que pode ser relevado pela consciência intuitiva, condição norteadora na apreensão dos valores, assim o sujeito se lança na vida por meio da capacidade de amar, trabalhar e suportar o sofrimento, para encontrar seus significados.

Porém, nem todo suicídio é motivado por questões culturais ou pela conclusão de que a vida não tem sentido, mas também pela intenção de provocar algum sofrimento, objetivando vingança, o desejo de fazer alguém em particular ou grupo específico de pessoas, culpado/s da sua morte. O suicida não acaba com a infelicidade do seu ser, mas apenas retira o “eu”, uma vez que o seu passado permanece, portanto se fechando as possibilidades do futuro. Não se trata de atribuir um sentido a vida, inventar, porque o sentido da vida não pode ser inventado, mas descoberto (Frankl, 1989; Frankl citado por Xausa, 1986).

O ser humano precisa realizar seu potencial e viver plenamente sua capacidade de amar, se exprimir de maneira criativa e progredir espiritualmente (Feinstein & Krippner citados Dahlke, 2009). O homem só pode ser empurrado até certo ponto e nenhum passo a mais, se ultrapassar esse limite prefere a morte (Bettelheim citado Pellizzari & Almeida, 2001). Em geral, é o amor (pelos outros, pela arte, justiça, verdade ou por qualquer outro valor) e, em especial, a fé que estão entre as principais motivações que dão sentido a vida ou animam a viver. A pessoa que não tem fé não pode amar, fica deprimida, é a fé que a faz viver cada dia, cada provocação ou alegria, viver na realidade e agir (Lowen, 1983; Ferry, 2008a, 2008b; Dolto, 2010).
Enfim, diferente de Viktor E. Frankl, diríamos que o sentido da vida se inventa ou se constrói, grosso modo, o sentido da vida é o encontro com sua antítese, a morte. Descobrir supõe que a coisa já exista, resta apenas encontrar o caminho. Construir é singular, emana do sujeito, mas qualquer uma dessas formas estabelece a ligação do indivíduo com o seu existir. No suicida não há esse elo ou o mesmo foi rompido, se perdeu toda perspectiva de obter esse sentido, o sujeito se encontra no vazio, totalmente desvinculado (caso exista é para punir e culpar o outro) de qualquer objeto externo real, virtual, subjetivo e simbólico que possa lhe servir como “tábua de salvação”.

Depressão e suicídio

Hipócrates, o pai da medicina, dava a depressão o nome de melancolia que literalmente significa cólera negra ou doença da bile negra, mas, às vezes, a vivacidade exagerada esconde a depressão, ou seja, o indivíduo não apresenta, necessariamente, um semblante triste. O suicídio é um problema inseparável da depressão. Estima-se que 75% dos casos de suicídio têm a depressão profunda como sua principal causa. O depressivo atormenta-se com sua situação, sobrecarga emocional, rumina seu passado (Winnicott, 1990; Moraes et. al., 2006, Dahlke, 2009; Lafer & Nery, 2011).

Esta é a Era do vazio e dos antidepressivos, por todo lado há solidão, dificuldade de sentir, de ser transportado para fora de si, no que resulta na sociedade depressiva. Sem dúvida, a depressão é a doença deste tempo, na virada do século, o número de padecentes depressivos, passou a ser de 100.000 em cada milhão de indivíduos (Roudinesco, 2000; Lipovetsky, 2005; Dahlke, 2009; Bueno, 2011). Estima-se que, em 2020, os transtornos depressivos vão ocupar o segundo lugar entre as maiores causas de enfermidades, e 2030 podem alcançar o primeiro lugar (Mathers; WHO citados por Carrasco et al., 2011).

A sociedade, em nome do consumo, instiga ideais penosos e difíceis de ser alcançadas, mas introjetados como essenciais. O sujeito deprimido não vive para si, mas sim para o outro (dominante), diante desse objetivo é inatingível, sente-se desamparado, fica enraivecido, percebe que alguma coisa não funciona bem, mas não consegue mudar a situação, pois tem um plano de vida irreal, em relação ao qual não ver alternativa (Arieti citado por Moraes et al., 2006).

A depressão é caracterizada por um colapso parcial ou total da autoestima (morte emocional), o indivíduo se percebe incapaz ou aquém das aspirações do ideal do ego ou do superego, perdeu a fé que o impulsiona a lutar, de se lançar na vida e procurar suas extensões. A sensação de vazio interior lhe mostra que o conteúdo de sua vida e que suas vivencias agora não tem mais sentido, sua existência se tornou um fardo bastante pesado (Lowen, 1983; Nietzsche, 2005; Gabbard citado por Moraes et. al., 2006; Dahlke, 2009), do qual, no mais breve dos tempos, precisa se livrar, mas, em outras palavras, termina por “jogar fora o bebê com a água do banho”.

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