Quem tem boca vai ao Vaticano

RIO — Como última cartada para conseguir recursos parar salvar o sistema lagunar da Baixada de Jacarepaguá, o biólogo carioca Mario Moscatelli decidiu apelar ao Papa. Literalmente. No dia 21, Moscatelli terá uma audiência com o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, e irá pedir ajuda ao cardeal para conseguir um encontro com o Papa Francisco, no Vaticano, para tratar do problema ambiental. Mas, antes disso, o ambientalista pretende recorrer a poderes mais próximos: quer tentar se reunir com o presidente interino Michel Temer, a quem deseja entregar um dossiê que lista graves problemas de poluição dos quatro rios (Anil, Rio das Pedras, Pavuna e Pavuninha) que desembocam nas lagoas daquela baixada. Com 15 páginas, o documento traz imagens impressionantes, como as de um jacaré envolvido num saco plástico na Lagoa da Tijuca, de cotias dividindo espaço com lixo na Lagoa de Jacarepaguá e da mancha de esgoto in natura sendo despejado no Arroio Pavuninha, ao lado do Parque Olímpico.

— Do ponto de vista ambiental, estes serão os Jogos Olímpicos do fiasco. A despoluição destes rios e das lagoas faziam parte do pacote olímpico. Quando a cidade se candidatou a sede, a prefeitura e o governo do estado se comprometeram com despoluição do sistema lagunar e dos rios que desembocam nas lagoas da região. — diz Moscatelli, que espera contar com a ajuda da Arquidiocese, já que a Campanha da Fraternidade deste ano tem o foco na foco no saneamento básico, no desenvolvimento, na saúde integral e na qualidade de vida. — Estamos a menos de 60 dias das Olimpíadas e a situação é vergonhosa

Para o ambientalista, é preciso correr contra o tempo.

— A Baía de Guanabara já não tem mais jeito, mas as lagoas e rios da Baixada de Jacarepaguá, se forem feitos investimento agora, podemos tentar salvar e ter as lagoas restauradas em cinco anos.

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