Morre em São Paulo o jornalista e escritor Sandro Vaia

“Um intelectual simples e grande cultivador de amigos”. As palavras do jornalista Roberto Gazzi descrevem o amigo e colega de profissão Sandro Vaia, ex-diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo, que morreu na noite deste sábado, aos 72 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. O homem quieto, mas de argumentos precisos, deixou, além da saudade, uma memória imortalizada na literatura. Sandro trabalhou por mais de três décadas no Grupo Estado, publicou dois livros, aprendeu na prática a profissão e ensinou gerações.

Nascido em Mantova, na Itália, o jornalista morou no Peru e na Bolívia antes de vir com os pais para o Brasil, aos seis anos de idade. A família fugia do clima pós-guerra que a Europa vivia. Instalaram-se na cidade de Jundiaí, a cerca de 58 quilômetros da capital paulista. O pequeno jornal do município foi o pontapé na carreira. Fez parte da primeira equipe que fundou o Jornal da Tarde, na década de 60, onde trabalhou como repórter, redator, subeditor e editor. Atuou como editor executivo da revista Afinal e como diretor de informação da Agência Estado. Entre 2000 e 2006, Sandro foi diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo. Nesse período, comandou uma profunda reforma do Estadão.

Aposentado, viajou para Cuba, em 2008, para um projeto pessoal: escrever um livro sobre a filóloga Yoani Sánchez, conhecida por sua resistência ao regime ditatorial de Fidel Castro. O trabalho, lançado um ano após sua visita, ganhou o nome de “A ilha roubada : Yoani, a blogueira que abalou Cuba”. Em 2013, escreveu seu segundo livro: Armênio Guedes – Sereno Guerreiro da Liberdade.

A arte de escrever não era, porém, sua única paixão. O italiano radicado no Brasil era também um aficionado por futebol, mais especificamente pelo time do Palmeiras. O tema de seu último post numa rede social, inclusive, foi justamente esse: “O time do Palmeiras não é o melhor do mundo, mas é um dos 5 melhores do Brasil fácil, inadmissível o Marcelo não fazer esse time jogar bem!”, escreveu.

Sandro ficou internado três semanas no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, e morreu após uma cirurgia gástrica. Ele deixa mulher, Vera, a filha Giuliana e a neta, Ana Luisa. O enterro será neste domingo, em Jundiaí.

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