Mesmo sem verba, servidores do Pedro Ernesto decidem manter funcionamento

RIO – Mesmo sem receber os repasses de verba acordados com o governo do estado, os servidores do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte, decidiram fazer o possível para manter o funcionamento da unidade. A decisão foi tomada em reunião na manhã desta segunda-feira entre a direção e o corpo clínico do Pedro Ernesto.

Desde meados do ano passado, o hospital vem sofrendo com a falta de repasses da chamada verba de custeio, que inclui pagamento de insumos e funcionários terceirizados. No início do ano, profissionais de limpeza chegaram a paralisar os serviços e o atendimento na unidade foi prejudicado. Com isso, em março, a direção do hospital fechou acordo com o governo para o repasse de R$ 7 milhões mensais para o custeio. Segundo a direção, no entanto isso não tem sido cumprido.

O governo afirma que dos R$ 7 milhões, pagou cerca de R$ 3,5 milhões em abril. A direção alega que este dinheiro é referente ao mês de março, que foi pago com atraso. De acordo com o presidente da comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, Paulo Pinheiro (PSOL) que participou da reunião na manhã de hoje, do valor que o estado alega ter pago, apenas R$ 2,7 milhões seriam para o custeio. Outros R$ 667 mil são destinados ao pagamento de médicos residentes e esse custo não está incluído no acordo celebrado para o pagamento dos R$ 7 milhões mensais. Segundo Paulo Pinheiro, a decisão de mantém o hospital funcionando pode não durar muito tempo.

— O corpo clínico decidiu manter as portas abertas, mas não se pode prever por quanto tempo. Se o estado não pagar, não se pode exigir que o pessoal da limpeza continue trabalhando sem receber sequer o vale transporte. Não se pode obrigar o pessoal da cozinha a trabalhar sem receber nem mesmo o valor para a própria alimentação. Se as empresas que fornecem os terceirizados não forem pagar, não se sabe se quanto tempo eles vão continuar trabalhando — afirma Pinheiro.

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