Cobrança de ingresso para visita a ruína de hotel será investigada

RIO – A fama tem seu preço, mas os visitantes do esqueleto do Gávea Tourist Hotel foram surpreendidos com a cobrança de “ingresso” para conhecer os 16 andares do prédio inacabado, localizado na Estrada das Canoas, em São Conrado. Com uma vista deslumbrante para o mar e para a Pedra da Gávea, o edifício foi redescoberto por cariocas nos últimos meses, e fotos em meio aos escombros proliferaram nas redes sociais. Com medo de que acontecesse algum acidente, os proprietários do imóvel contrataram vigias para impedir o acesso à construção, mas os funcionários — que trabalhariam para um capitão da Polícia Militar, lotado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) — passaram a cobrar R$ 10 pela entrada. A Corregedoria da PM vai investigar a denúncia.

Os donos do imóvel, que tinham determinado o fim da visitação desde o mês passado, afirmaram que não sabiam da cobrança irregular.

— Contratamos uma vigilância por indicação. Ninguém está autorizado a cobrar nada de ninguém. Estamos fazendo isso pela segurança do público e do lugar. Se vier a acontecer um acidente com o portão aberto, o problema será nosso — disse, revoltado, o empresário Jamil Elias Suaiden, diretor da empresa GV2 Produção, proprietária do imóvel desde 2011.

O “pedágio” foi cobrado até o fim de semana prolongado dos feriados de Tiradentes e São Jorge. Desde então, não há notícias do ingresso de visitantes, embora muita gente ainda mostre interesse em conhecer o espaço, que agora está realmente fechado.

Grupo de rapel pagou R$ 500

Como O GLOBO mostrou em março, o esqueleto se tornou cenário de ensaios fotográficos e de clipes musicais. Artistas repaginaram o espaço, colorindo pilastras. A estrutura também era usada por praticantes de rapel.

No último dia 21, o assistente administrativo Luiz Fernando da Silva foi visitar o esqueleto com um grupo de 30 pessoas. Todos pagaram entrada.

— Para não ter que ir embora, pagamos R$ 320 para subir. Para um grupo de rapel, foram cobrados R$ 500. Só nesse dia, o segurança deve ter faturado uns R$ 6 mil. E ainda impediu muita gente que não quis pagar de entrar — contou Luiz Fernando, que foi seis vezes ao point. — A modinha começou depois do carnaval. Aproveitei bastante, mas muita gente começou a conhecer só agora. Bate uma tristeza com esse fechamento.

No último último fim de semana em que o esqueleto esteve aberto, o analista tributário Anderson Araujo subiu no imóvel, com quatro amigos, e disse que, cada um, também pagou R$ 10.

— Havia um segurança sentado na entrada. Nós achamos injusta a cobrança, mas, como estávamos ali, não queríamos perder a viagem.

O prédio começou a ser construído em 1953, mas teve suas obras interrompidas em março de 1972 pela incorporadora Califórnia Investimentos, que decretou falência cinco anos depois. Em 2011, após décadas de abandono e de batalhas judiciais, foi comprado por R$ 29 milhões pela GV2 Produção, que ainda não conseguiu aprovar seu projeto de reforma na prefeitura e no Iphan.

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