Boto encontrado morto na Baía de Guanabara tinha menos de dois anos

RIO – Pesquisadores da Uerj lançaram uma campanha infantil para dar nome aos 35 botos-cinzas que ainda sobreviviam na Baía de Guanabara. O objetivo foi criar um laço de afeto entre crianças e os poucos animais da espécie, em extinção acelerada, que ainda habitam a Baía. Mas, na quarta-feira, Laranjinha, um dos nomes escolhidos, ficou sem seu irmão e Regina sem seu filhote. Acerola, de apenas um ano e nove meses, foi encontrado morto na Praia Guanabara, na Freguesia, Ilha do Governador, com sinais de esquartejamento. Seu corpo apresentava cortes feitos com faca.

Com a morte de Acerola, restam agora apenas 34 botos-cinzas na Baía. Os três animais formavam uma família que, assim como os outros botos da Baia, era monitorada por especialistas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Uerj. Para o pesquisador José Lailson, professor de Oceanografia da Uerj e coordenador do Maqua, não há dúvidas de que Acerola foi morto, o que configura crime ambiental.

— A necropsia indicou que Acerola foi retalhado a faca. Parte das vértebras foram arrancadas. Também tentaram retirar a causa. Ele teve a musculatura dorsal e a camada adiposa retiradas. Desde que começamos a monitorar os botos da Baía, há 24 anos, essa foi a premeira vez que encontramos um animal morto intencionalmente — lamentou Lailson. — Amanhã (sexta-feira), teremos uma reunião no Inea (Instituto Estadual do Ambiente) na qual pretendemos discutir uma forma de aumentar a proteção as botos da Baía.

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