Após corte de programas, Paulo Melo diz que vai deixar secretaria

RIO — Depois da divulgação do plano de cortes de gastos pelo governador em exercício Francisco Dornelles, incluindo a extinção dos programas sociais Renda Melhor e Renda Melhor Jovem, vinculados à Secretaria Estadual de Direitos Humanos, o titular da pasta, Paulo Melo (PMDB), afirma que vai entregar o cargo quando voltar de férias, no início de julho. Ao GLOBO, ele fez críticas à medida:

— Não pretendo voltar pra secretaria. Minha história de vida não permite tirar dos mais pobres. Acho que o governo tem que estabelecer algumas prioridades, e não acho que seja prioridade tirar dos que mais precisam. Deveria haver um esforço maior para preservar esses programas — alegou.

A menos de quatro meses das eleições municipais, o peemedebista tem feito críticas contra o governo, irritado com a falta de dinheiro em sua secretaria. Em maio, disparou contra a administração em entrevista ao GLOBO, quando comentou o atraso de R$ 13 milhões em repasses da Secretaria de Fazenda para o programa Renda Melhor:

— Estou decepcionado como secretário e revoltado como cidadão. O governo não se comunica, não tem sinceridade. O governo não deu qualquer satisfação à população, nem sequer divulgou nota ou reuniu a equipe para avisar que não poderia pagar o benefício. Essas famílias são extremamente pobres e contam com esse dinheiro. Muitas vezes, isso é a garantia de comida à mesa — disse Melo, na ocasião.

Atualmente, pouco menos de R$ 178 mil famílias recebem o dinheiro do programa. O benefício básico do programa federal é de R$ 77. O estado pode acrescentar entre R$ 30 e R$ 300, tomando como base a penúria de cada família. Aqueles que têm filhos cursando o ensino médio na rede estadual podem ser contemplados com o Renda Melhor Jovem, que premia os estudantes a cada ano concluído no ensino médio, para evitar evasão. Do primeiro para o segundo ano, são concedidos R$ 700; do segundo para o terceiro, R$ 900; e na conclusão, mil reais. O aluno pode sacar no máximo 30% nos dois primeiros anos e, no terceiro, toda a quantia.

Dornelles afirmou ainda que os Restaurantes Populares, que fazem parte da Secretaria de Direitos Humanos, serão entregues progressivamente a municípios. O programa também vinha sofrendo com a carência de recursos.

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