Abertura em marcha lenta

RIO — Quase 20 anos após a inauguração da Linha Amarela, em novembro de 1997, o Rio ganhará, no fim de junho, o corredor Transolímpico, a segunda via expressa municipal com cobrança de pedágio e a primeira integrada a um BRT. Com a abertura da pista, o tempo de deslocamento entre o Recreio e Deodoro deve ser reduzido em 78%: dos cerca de 90 minutos atuais para pouco mais de 20 minutos, num percurso de 25 quilômetros (sendo 13 no trecho sob concessão). Mas, assim como aconteceu com o Transcarioca (Barra-Galeão), entregue cerca de um mês antes da Copa do Mundo, a operação do novo BRT (que liga os parques olímpicos de Deodoro e Barra) será parcial durante os Jogos.

Na Copa, das 47 estações e cinco terminais do Transcarioca, apenas três pontos funcionaram. As demais estações foram abertas progressivamente após o evento, realizado de 12 de junho a 13 de julho de 2014. No caso do BRT Transolímpico, que terá 18 estações e três terminais, somente três paradas estarão abertas durante os Jogos (terminais do Recreio e do Parque Olímpico da Barra e estação de Magalhães Bastos). O terminal de BRT de Deodoro também não estará pronto. Isso porque ele será construído pelo projeto do BRT Transbrasil. O pedágio será o mesmo da Linha Amarela (R$ 5,90 para carros de passeio).

CONTRATO PREVIA CONCLUSÃO EM ABRIL

A prefeitura sustenta que o Transolímpico não sofreu atrasos e que a implantação gradual dos serviços já estava prevista, porque a prioridade era garantir a operação para os Jogos. O contrato original, porém, previa que a obra estaria concluída em 26 de abril, segundo relatórios do Tribunal de Contas do Município (TCM).

— Todo novo serviço de transportes passa por ajustes até operar com plena capacidade. Após as Olimpíadas, as demais estações serão abertas progressivamente, como aconteceu no BRT Transcarioca. Assim como a Linha Amarela, essa é uma obra para integrar a cidade, que foi pensada na década de 60. E vai melhorar a oferta de transporte público com o novo corredor de BRT — disse o prefeito Eduardo Paes.

Na sexta-feira, repórteres do GLOBO percorreram todo o trecho recém-construído, que ainda conta com 5 mil operários trabalhando em serviços de acabamento. Segundo a prefeitura, 95% das intervenções na via, que cruza 11 bairros, já foram executados. Já é possível, por exemplo, circular de carro entre Deodoro e a Barra, com exceção de um pequeno trecho no acesso para a Avenida Salvador Allende, entre a Favela Asa Branca (Curicica) e o futuro terminal de integração de BRTs nas proximidades do Parque Olímpico.

Orçado em R$ 2,2 bilhões, o corredor Transolímpico será administrado pela concessionária ViaRio, formada por Invepar, Odebrecht Rodovias e CCR. O grupo venceu a concorrência da prefeitura para administrar a via por 25 anos.

As futuras estações do BRT Transolímpico já estão sendo instaladas — em boa parte delas, falta apenas colocar os equipamentos de bilhetagem. Os acessos a quase todas as estações serão feitos por passarelas, que começaram a ser construídas. As cabines da praça de pedágio (paralela à Estrada do Catonho) também estão sendo montadas. Os túneis se encontram em fase final de acabamento, e operários concluem instalações elétricas. Em alguns trechos, também estão sendo colocadas telas que servem de barreiras acústicas como as que existem em outras vias expressas.

O entorno do BRT também é um canteiro de obras. Ruas vizinhas à via expressa em Magalhães Bastos estão sendo reurbanizadas pelo projeto Bairro Maravilha. Nas proximidades da Vila Militar, uma escola pública está sendo erguida em parte de um terreno cedido pelo Exército que acabou não sendo totalmente aproveitado na construção da via expressa.

No caso da Avenida Salvador Allende (que liga a Barra ao Recreio), incorporada ao projeto da via expressa, mas fora dos limites da concessão, boa parte das pistas laterais já foi implantada. Há 15 dias, a prefeitura abriu ao tráfego um novo viaduto de acesso à Avenida Embaixador Abelardo Bueno (onde fica o Parque Olímpico). Mas há trechos ainda interditados. Para conseguir chegar ao Recreio, os motoristas precisam passar por um desvio contornando o Riocentro.

O secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, observou que o projeto que saiu do papel tem um traçado bem diferente daquele que foi concebido originalmente. As mudanças evitaram demolições de cerca de 2 mil residências, lojas, igrejas localizadas entre Jacarepaguá e Magalhães Bastos, e até capelas do cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap:

— Nós fomos ajustando as frentes de obras para evitar atrasos, enquanto buscávamos alternativas técnicas para manter os moradores. É uma obra complexa. Mas, em termos de dificuldades, o maior desafio nem foi aqui. Foi na construção do BRT Transcarioca, porque o serviço foi implantado atravessando bairros já consolidados da cidade — disse Pinto.

A partir de hoje, funcionários do Consórcio ViaRio vão iniciar, em Jacarepaguá, um cadastro dos proprietários de automóveis que vivem num raio de dois quilômetros de uma praça secundária de pedágio, em construção na Estrada do Rio Grande. No local, será cobrado o acesso de veículos que seguem no sentido Recreio. Caso esses moradores cadastrados queiram ir à Barra ou ao Recreio pela via expressa, estarão isentos de pagamento. Se, no entanto, optarem por seguir até Deodoro ou Magalhães Bastos, terão de pagar pedágio, como outros motoristas.

A velocidade média autorizada no Transolímpico será de 80 quilômetros por hora. A estimativa da concessionária ViaRio é que 55 mil veículos circulem pela rodovia no primeiro ano. A via expressa será monitorada por 104 câmeras de segurança, e os túneis terão 53 telefones de emergência. A empresa contará ainda com cinco reboques para atender os motoristas.

O Transolímpico é o terceiro BRT do Rio, juntado-se ao Transoeste (Barra-Campo Grande-Santa Cruz), inaugurado em 2012, e ao próprio Transcarioca. O quarto BRT será o Transbrasil (Deodoro-Caju), que chegou a ser anunciado para antes dos Jogos, mas ficou para 2017.

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