Quem é e como pensa o polêmico magnata que chefiará a Casa Branca

O empresário bilionário surpreendeu o mundo ao contrariar as pesquisas e derrotar Hillary Clinton na disputa pela Casa Branca

Mesmo com Hillary Clinton apontada como favorita em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto e nas projeções feitas por institutos e pela imprensa, Donald Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos. Em seu discurso de vitória, prometeu reunir a nação e reconstruir a infraestrutura do país, dobrando o crescimento econômico.

“Serei presidente para todos os americanos”, disse. “Trabalhando juntos, vamos começar a tarefa urgente de reunir nossa nação. É isso que quero fazer agora por nosso país.” Veja trechos do discurso no vídeo abaixo:

A candidata democrata ainda não reconheceu a derrota publicamente, mas telefonou para Trump. “Ela me ligou para me parabenizar por nossa vitória, e eu a parabenizei por uma campanha muito, muito dura. Ela lutou muito forte”, disse presidente eleito em seu discurso.

FOTOS: Veja a reação dos americanos à vitória de Trump 

Noite nos Estados Unidos foi de festa de um lado e choro do outro (Créditos: Jonathan Ernst e Lucy Nicholson/Reuters)
 VITÓRIA EM ESTADOS-CHAVE

Orepublicano conquistou vitórias surpreendentes sobre Hillary em estados-chaves para a definição , abrindo o caminho para a Casa Branca e abalando os mercados globais que contavam com uma vitória da democrata.

A maré começou a virar a favor de Trump após as vitórias na Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Iowa. Os democratas contavam com apoio dos estados do Centro-Oeste, por causa do apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump.

Quando entrou o número de delegados do estado de Wisconsin na conta da agência Associated Press, Trump alcançou 276 delegados, ultrapassando o limite de 270 necessários para ser o vencedor no Colégio Eleitoral.Confira a apuração completa dos votos nos estado a estado.

Até as 8h20 (horário de Brasília), Hillary tinha tido 47,48% dos votos; Trump estava com 47,72%
GIF compara os resultados das eleições de 2012, quando Barack Obama foi eleito, e a de 2016, que deu vitória a Donald Trump
 

REPERCUSSÃO POLÍTICA

Avitória de Donald Trump provocou reação do mundo que vão desde o espanto até a euforia de líderes de direita.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, enviou em um telegrama ao presidente eleito dizendo esperar uma melhora nas relações russo-americanas. Afirmou ainda “estar certo de que será iniciado um diálogo construtivo entre Moscou e Washington”.

Jean-Marie Le Pen, dirigente histórico da extrema-direita francesa, parabenizou o eleito. “Hoje, os Estados Unidos! França, amanhã! Parabéns!”, afirmou. O presidente francês, François Hollande, disse que “o triunfo de Trump abre um período de incerteza”. Saiba o que dizem os líderes mundiais

(Crédito: Osman Orsal/Reuters)
 

REAÇÃO DOS MERCADOS

Oresultado da eleição nos Estados Unidos derrubou as ações pelo mundo. A bolsa de valores de Tóquio perdeu mais de 5% e, na Europa, os principais índices abriram o dia em forte queda. No Brasil, o dólar abriu em forte alta em relação ao real . A Bovespa começou os trabalhos com queda de mais de 3%

Segundo a Reuters, os investidores estão preocupados com a possibilidade de Trump adotar políticas protecionistas e desistir de acordos de comércio internacional.

“Isso é o mais assustador em se colocar o cargo mais poderoso do mundo nas mãos de um homem que muitos acreditam ser temperamentalmente instável. Seus cortes de impostos podem abrir um enorme rombo orçamentário e suas sanções comerciais podem suspender o comércio mundial. Tudo isso pode gerar uma recessão”, disse o estrategista-chefe de mercado da National Securities em Nova York, Donald Selkin.

 

AZARÃO

De temperamento explosivo e sem experiência política anterior, o bilionário republicano de 70 anos superou todos os prognósticos e se impôs como um forte adversário.

Começou a disputa como azarão, concorrendo com diversos outros pré-candidatos republicanos pela indicação do partido e com muitos analistas duvidando que ele pudesse alcançar a nomeação. Com discursos centrados nas frustrações e inseguranças dos americanos num mundo em mutação, tornou-se a voz da mudança para milhões deles.

Trump ao lado dos filhos e da mulher Melania Trump (Foto: Jewel Samad/AFP)
 

TRAJETÓRIA

Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa. Tem cinco filhos e seis netos.

Graduou-se em 1964 na Academia Militar de Nova York, onde alcançou a patente de capitão e vislumbrava seu destino: “Um dia, serei muito famoso”, comentou a um colega. Formou-se em economia na Universidade da Pensilvânia. Em 1971, assumiu a empresa familiar dedicada ao aluguel de imóveis de classe média em NY. Ele gosta de dizer que começou modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão” de seu pai.

Optou por construir torres luxuosas, hotéis, casinos e campos de golfe. Já nos anos 1980, tinha em construção diversos empreendimentos na cidade, incluindo a Trump Tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey.

Em 1996, comprou os direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen, tornando-se seu produtor executivo. Oito anos mais tarde, tornaria-se figura pública ainda mais conhecida ao virar apresentador do programa “The Apprentice” (“O Aprendiz”).

O jovem Donald Trump (ao centro) (Foto: Reprodução/TV Globo)
 

PRIMEIRA-DAMA

Opresidente eleito nos EUA é casado, pela terceira vez, com a ex-modelo Melania Trump desde 2005. A sucessora de Michele Obama tem 46 anos e nasceu em Sevnica, uma pequena cidade no leste da Eslovênia.

Em seu último discurso na campanha, Melania disse que “seria um privilégio poder servir a nosso país” como primeira-dama e que pretendia ser “uma defensora das mulheres e das crianças”.

Melania Trump, a nova primeira-dama dos EUA (Foto: Patrick Semansky/AP Photo)

Nas poucas vezes em que Melania apareceu na campanha, ela cometeu gafes. Em julho, foi acusada de plagiar um discurso de Michelle Obama de 2008, ao defender seu marido quando ele ainda concorria à nomeação do Partido Republicano. A campanha de Trump considerou a acusação de plágio um “verdadeiro absurdo”.

A nova primeira-dama chegou a dizer que os comentários do marido sobre mulheres eram inaceitáveis e ofensivos, mas ao mesmo tempo o defendeu. Disse que o pedido de desculpas dele deveria ser aceito.

DENÚNCIAS DE ASSÉDIO

Acampanha eleitoral de 2016 foi considerada uma das mais sujas da história, com acusações e bate-bocas entre os dois principais candidatos. Uma das maiores polêmicas envolvendo Trump foram as denúncias de assédio sexual por mulheres. Algumas relatam que o republicano as beijou à força, outras dizem que ele colocou as mãos por baixo de suas saias.

Summer Zervos diz à imprensa, no dia 14 de outubro, que foi assediada pelo candidato republicano Donald Trump (Foto: REUTERS/Kevork Djansezian)

Seis casos foram divulgados após o jornal “Washington Post” publicar um vídeo em que Trump faz comentários sobre como apalpa mulheres sem seu consentimento. Na gravação, o candidato usa termos vulgares para se referir a mulheres.

O caso gerou mais críticas e retiradas de apoio ao candidato, inclusive por parte de republicanos, e fez com que grandes doadores de sua campanha pedissem o dinheiro de volta. Trump nega todas as acusações.
MURO NO MÉXICO

Sua postura em relação à imigração também repercutiu em todo o mundo. Ele defendeu a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes nos EUA. No dia em que apresentou sua candidatura, ele disse:

“Quando o México manda gente para os EUA, eles não estão mandando os melhores… Eles estão mandando pessoas que têm muitos problemas e estão trazendo esses problemas para nós. Eles estão trazendo drogas, estão trazendo crime, estão trazendo estupradores, e, alguns, presumo, são boas pessoas.”

Donald Trump mostra desenho de muro que diz que será construído no México (Foto: REUTERS/Jonathan Drake)

Trump prometeu ainda banir os muçulmanos e expulsar todos os imigrantes ilegais que já estão nos EUA, cerca de 11 milhões de pessoas, afirmando que aqueles que comprovarem ser “boas pessoas” serão aceitos de volta de forma legal.

Outras propostas feitas pelo republicano foram o fim do “Obamacare” (programa de saúde criado por Obama), o aumento dos impostos de empresas que deixarem o país e a ampliação dos poderes dos donos de armas que querem se defender.
IMPOSTOS

Os impostos de Trump se tornaram um grande tema da campanha depois que o jornal “New York Times” divulgou parte do seu imposto de renda de 1995 e estimou que Trump provavelmente não pagou impostos por vários anos. O empresário não negou a reportagem. Mais tarde, ele disse que tinha “usado brilhantemente” o sistema fiscal norte-americano a seu favor.

Antes disso, durante o primeiro debate presidencial com Hillary, ao responder às acusações dela sobre não pagar impostos federais, o empresário disse que isso o faria “esperto”. Suas declarações e propostas provocaram um mal-estar entre políticos republicanos e um racha no Partido. Apesar de afirmar ter US$ 10 bilhões, sua fortuna foi estimada em US$ 4,5 bilhões pela Forbes.

Donald Trump diante de seu helicóptero, em 1988 (Foto: AP)
 

BAIXO NÍVEL DA CAMPANHA

Durante a campanha e nos três debates presidenciais – um deles bateu o recorde da audiência –, os dois protagonizaram bate-bocas e trocaram comentários ácidos, que contribuíram para a fama do clima de baixo nível.

Trump chamou Hillary de “nasty woman” (mulher repugnante ou mulher nojenta) e disse que se fosse eleito prenderia a democrata, a quem acusou de ser mentirosa e corrupta. Em um comício, sugeriu que a candidata se drogava antes dos debates.

Trump e Hillary durante debate presidencial (Foto: Mark Ralston/Pool/AP)

A candidata democrata também fez comentários polêmicos. Hillary chamou os eleitores de Trump de “deploráveis”, e depois disse que se arrependeu. Em outra ocasião disse que o republicano chora “lágrimas de crocodilo”. Também acusou Trump de ser marionete de Vladimir Putin e provocou o republicano ao dizer que ele é tão saudável quanto o cavalo que o presidente russo monta. Veja no vídeo a seguir os principais bate-bocas entre os candidatos:

CRÉDITOS:

Conteúdo: Marina Franco, Amanda Polato e Dennis Barbosa, com agências internacionais
Design: Karina Almeida

Informações Globo – G1

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