Prefeito Arthur diz que Odebrecht tenta ‘melar’ a Lava Jato e o que recebeu foi, de modo legal e registrado na Justiça Eleitoral

Citado pelo diretor de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, em delação premiada entregue à Força-Tarefa da operação Lava-Jato, como tendo recebido R$ 300 mil para sua campanha ao Senado, em 2010, o prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), disse, neste sábado (10), em nota, que recebeu, “de modo legal e com o devido registro na Justiça Eleitoral, R$ 80 mil, a título de colaboração da empresa Odebrecht, através de sua subsidiária Leyroz de Caxias  Indústria, Comércio e Logística, para a campanha de 2010 para o Senado”.

“Essa é a verdade única. Daí porque recebi, surpreso e revoltado, a notícia de que o delator Claudio Melo teria me citado como suposto beneficiário de R$ 300 mil nessa mesma eleição. Lembro que, em março deste ano, “vazou” outra lista, daquela vez me atribuindo R$ 100 mil e misturando doações legais com aquelas feitas à margem da legislação eleitoral. Vejam o despropósito: R$ 100 mil ou R$ 300 mil? Por que a perniciosa confusão de números, quando a verdade inescapável é que a empresa me destinou R$ 80 mil dentro da lei?”, disse o prefeito.

O delator disse que Arthur recebeu  por ser “ex-líder do PSDB, político importante e que, caso eleito – o que não ocorreu – certamente seria um parlamentar de expressão no Congresso Nacional.

 

Na nota, Arthur disse que foi deputado federal e senador “por 20 longos anos” e nunca apresentou “uma emenda sequer ao Orçamento, que beneficiasse a Odebrecht ou outra empresa qualquer”. “Jamais um discurso que procurasse justificar a destinação de recursos para alguma obra tocada por essa empresa. Nunca qualquer tentativa de ajudá-la, enfiando ‘jabutis’ em medidas provisórias, até porque minha atuação parlamentar, bem ao contrário, sempre se marcou por denunciar manobras orçamentárias espúrias, advocacia administrativa e deformação de medidas provisórias”, afirmou.

Arthur  também diz que foi líder e ministro do governo Fernando Henrique por quatro anos e nunca prestou qualquer “serviço” à Odebrecht ou a nenhuma outra empreiteira. “Entrei e saí desses postos de cabeça erguida, sem sofrer questionamentos de ordem moral. Fui líder do PSDB no Senado, durante oito anos, em oposição ao presidente Lula da Silva. O número e a qualidade dos senadores oposicionistas estabeleciam a possibilidade real de influenciar nas votações e decisões da Casa, e nunca constou da minha agenda trabalhar a favor de empreiteiras”. Como prefeito pela terceira vez, ele disse que, em suas gestões, a Odebrecht “jamais construiu um único centímetro de meio fio”.

Arthur disse que o próprio delator, “no pequeno trecho em que me citou, admite não ter intimidade comigo e que a  contribuição se deveria ao fato de ser eu ‘um parlamentar influente’”. “Não me relacionou a qualquer demanda de sua empresa, que tivesse contado com minha simpatia. E a verdade é que são mentirosas tanto a quantia que citou, quanto a forma de transferência do dinheiro, porque a realidade, que faço questão de repetir, é que recebi R$ 80 mil legais, transparentemente declarados à justiça eleitoral”, informou.

Diz ainda o prefeito: “Tento enxergar para além da pura e simples inclusão do meu nome, sem nenhum destaque, nessa lista de centenas de figuras, que vão do presidente da República a ministros e do governador de São Paulo a pessoas públicas com mandato ou não. E a conclusão a que chego é que a direção da Odebrecht, essa capitã do “petrolão” e de toda a corrupção daí derivada, bem pode ser a tentativa final de melar a operação Lava Jato”.

Segundo Arthur, ”misturando alhos com bugalhos e apresentando uma lista infindável de nomes, com ou sem ligação real com os acontecimentos delituosos, certamente aumentará em muito o tempo de avaliação dos fatos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), levando culpados reais a se beneficiarem da prescrição e, portanto,  a se livrarem da dureza de condenações com consequências práticas imediatas”.

O prefeito informou que vai processar  Claudio Melo e a  Odebrecht, na Justiça  criminal e  cível, em  reação a “um quadro intolerável de difamação e perversa leviandade”.

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