Arthur Bisneto fala da crise política no Brasil para rádio CBC do Canadá

Arthur Bisneto, líder de oposição na Câmara dos Deputados deu entrevista para uma equipe da rádio CBC, do Canadá,  para opinar sobre a crise política no Brasil.

Veja a entrevista: 

A crise brasileira e os movimentos que pedem a saída da presidente Dilma Rousseff têm sido destaque na imprensa de todo mundo.  Existe um forte interesse em se informar dos fatos que se passam por aqui. O deputado Arthur Virgílio Bisneto (PSDB-AM), vice-líder da Minoria, é personagem importante nesse momento de reviravoltas históricas no país. Nesse sentido, na última quinta-feira (17), foi procurado por uma equipe da rádio CBC, do Canadá, para analisar o que ocorre no Brasil. Confira a entrevista:  http://bit.ly/EntrevistaCBC

Entrevistadora: Sr. Virgílio, você consegue descrever o cenário no Congresso hoje (17-3)?

AVB: Foi um momento diferente para o Brasil. Um dia histórico porque tivemos toda essa situação entre a presidente e o ex-presidente (a nomeação de Lula para o Ministério da Casa Civil). Ele está escapando da Justiça. Essa é a razão pela qual a presidente Dilma o está indicando para o governo.

Entrevistadora: Isso é o que ouvimos na conversa telefônica vazada que foi gravada. Uma conversa que parece sugerir ser essa a razão pela qual Lula da Silva está sendo empossado hoje.

AVB: Essa é a única razão. Ele não é capacitado.

Entrevistadora: Isso é para protegê-los das acusações, você acredita?

AVB: Sim, da Justiça. Porque há um juiz chamado Sérgio Moro e ele está coordenando uma operação da Polícia Federal chamada Lava Jato, que prendeu uma série de homens de negócios importantes por aqui. Prendeu um senador, alguns políticos. Quando Lula vira um ministro, ele escapa do seu julgamento.

Entrevistadora: O que você está explicando é que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como ministro de Estado, seria julgado apenas na Corte Suprema, que é considerado o fórum mais privilegiado, e ele está sob investigação por corrupção e lavagem de dinheiro. Correto?

AVB: É isso! Mas, após esse movimento, ele irá escapar. Eu acho que ele tem uma chance de escapar.

Entrevistadora: Você falou que essa gravação, essa conversa e outras, umas 50, foram divulgadas pelo juiz Moro. Mas algumas pessoas estão bem irritadas com o juiz Moro por ter divulgado essas gravações, que ele não deveria ter feito isso, que ele está atuando politicamente também. O que você diz sobre isso?

AVB: Ninguém está com raiva dele, ele tornou-se um herói brasileiro. Está tentado parar a maior roubalheira da história do Brasil. Ele é como um herói aqui, se ele se candidatasse para ser presidente, tenho certeza que seria eleito!

Entrevistadora: Mas o juiz violou alguma lei ao fazer isso?

AVB: Não violou nada. Porque você não pode imaginar o que eles fizeram com o Brasil. O que eles fizeram? Eles quebraram a economia, estão roubando muito. Nos levaram ao pior momento econômico da história. O pior momento. Precisamos parar isso. Devemos parar com isso.

Entrevistadora: No Congresso, hoje, não apenas Lula da Silva foi empossado como ministro de Estado, mas vocês também tiveram esse processo de impeachment que começou para a atual presidente Rousseff. Pode nos falar disso?

AVB: Sim. Acabamos de abrir uma comissão com congressistas de todos os partidos e eles irão analisar o que vai acontecer nesse processo. Estou um pouco preocupado com a situação porque a maioria dos congressistas, que estão na comissão, apoiam o governo, mas acredito que o povo, todo o povo nas ruas, irá mudar isso. Eles estão sentindo muito o desemprego. Quando disseram que iam prender Lula, o dólar caiu. O mercado e o povo não os quer mais.

Entrevistadora: Estamos vendo milhões de pessoas saindo às ruas, envolvendo esses protestos…

AVB: Quase 7 milhões de pessoas no Brasil.

Entrevistadora: Um dos maiores momentos políticos, um dos maiores na história do Brasil. Mas um grande número de apoiadores do governo sairá às ruas em suas próprias manifestações no Brasil?

AVB: Somente aqueles que eles pagarem. Ninguém os apoia. Você deveria ver hoje. Eles colocam 300 pessoas em frente ao palácio presidencial e havia umas 10 mil pessoas contra. Em dia útil. Nós temos algo como 70% da população brasileira pedindo o impeachment. O governo deles acabou. Acabou.

(Observação: Os movimentos pelo impeachment dia 13/3 tiveram mais de 10 vezes pessoas do que os movimentos a favor do governo no dia 18/3).

Entrevistadora: Vocês têm esse processo de impeachment para a atual presidente, vocês têm essa investigação criminal não apenas para o ex-presidente, mas para muitas outras pessoas que foram flagradas. Isto deixou o país sem capacidade de funcionar?

AVB: É terrível para o país, para nossa imagem diante do mundo. Nós éramos um país de economia em crescimento, éramos um país com muito futuro, eles quebraram a economia, eles mentiram nas eleições, disseram na eleição que o Brasil estava no caminho certo. Mas o Brasil já estava quebrado. Como disse, o governo acabou. Eles não comandam o Brasil mais.

Entrevistadora: Você afirma que o país está quebrado. Mas você pode colocar todos os problemas do Brasil nas costas do atual governo?

AVB: Sim, todos eles. Porque eles estão no poder há quase 14 anos. Quando Lula virou presidente, o Brasil era organizado. Quebraram o país, brincaram com o mercado, brincaram com o dinheiro, houve muita corrupção, quebraram a maior empresa brasileira, a Petrobras. E todo o dinheiro foi para a corrupção.

Entrevistadora: E agora vocês têm o Brasil nessa grande crise financeira. Vocês têm milhões de pessoas nas ruas, o governo está por um fio. Vocês têm outros problemas, vocês têm o zika vírus, a crise na saúde e vocês estão tentando ter o país preparado para, em apenas alguns meses, sediar as Olimpíadas. Como o Brasil vai administrar tudo isso?

AVB: O zika vírus é um problema que veio de fora, mas que é uma realidade no Brasil, especialmente para as mulheres grávidas. Eles não investiram em atenção médica e o governo teve muita dificuldade em controlar o vírus. O Brasil não se preparou para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas. Eles queriam a Copa e as Olimpíadas para mostrar que o Brasil era um país em crescimento, mas a verdade é que não preparam o Brasil para se desenvolver

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