Alessandra Campêlo e trabalhadores da saúde insatisfeitos com explicações de Pedro Elias na Assembleia

Os deputados da oposição e os trabalhadores da saúde não aprovaram as explicações do secretário de saúde Pedro Elias ao Poder Legislativo, nesta terça-feira, 25 de outubro, quando ele finalmente compareceu à convocação aprovada pela Casa. Operação Maus Caminhos, salários atrasados, falta de medicamentos e leitos, excesso de terceirização e estrutura sucateada foram alguns dos temas sobre os quais o titular da Susam teve que responder diante dos parlamentares.

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Autora do pedido de CPI para investigar o caos na saúde pública do Estado, a deputada Alessandra Campêlo (PMDB) criticou as explicações prestadas pelo secretário. Além dos recorrentes problemas de atrasos dos salários dos terceirizados e prestadores de serviço, o pano de fundo da visita foi a Operação Manaus Caminhos, que desarticulou no mês de setembro uma organização criminosa responsável pelo desvio de mais de R$ 120 milhões do Fundo Estadual de Saúde.

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“O secretário, na maioria das perguntas, ou ele não sabia ou não assinou os contratos. Isso demonstra que ele ou sabia de tudo e era conivente ou se não sabia de nada tem que admitir que não há controle nenhum sobre a gestão da saúde no Estado.  Ou é convivência ou é competência. A mim ele não satisfez porque não respondeu aos questionamentos”, comentou Alessandra.

Para a deputada, a ampliação das investigações no âmbito da Assembleia Legislativa é necessária, pois há indícios de diversos contratos suspeitos desde 2014.

“Com a vinda do secretário ficou muito claro que o problema não é só somente nos contratos investigados pela Maus Caminhos, mas há muitos outros contratos com claros indícios de corrupção e desvios de dinheiro público”, enfatizou Alessandra.

Técnicos de enfermagem em desespero

Nas galerias da Casa, a visita do secretário foi acompanhada de perto por trabalhadores que prestam serviços no sistema público de saúde do Estado. Representante dos técnicos de enfermagem e enfermeiros, Ismael Mesquita relatou o constante problema dos atrasos de salários para os terceirizados. Detalhe: muito antes da Operação Manaus Caminhos, cujas empresas envolvidas tiveram os seus repasses cortados por determinação da Justiça.

“Nosso maior problema é que há seis anos vem se repetindo o atraso de salários. Entrou a Florence Saúde, que decretou falência e deixou os funcionários por quatro meses sem receber e sem acesso aos direitos trabalhistas. A novela agora é com a Salvare, Total Saúde, Tapajós e CPA, empresas que decretaram falência, estão atuando e ninguém tem resposta de nada para os trabalhadores”, denunciou Ismael, que trabalha na Maternidade Ana Braga.

O deputado estadual José Ricardo Wendling (PT), autor do pedido de requerimento de convocação, também não aprovou as respostas do secretário de Saúde.

“De um modo geral, o secretário trouxe poucas informações novas. Ele mostrou que há um grande descontrole na secretaria de Saúde, que tem mais de 600 contratos e que até agora não fizeram uma auditoria ou verificação. Provavelmente deve ter contrato com irregularidade, como já foi apontado pela Operação Maus Caminhos, criticou o deputado.

A visita de Pedro Elias terminou com protestos dos trabalhadores da saúde, que não tiveram direito de questionar o secretário na tribuna da Assembleia.

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