Alessandra Campelo diz que irmão do Governador, Evandro Melo está envolvido na morte Alexandre Gomes

A Deputada Estadual Alessandra Campelo (Pc do B) fez várias declarações nesta segunda-feira (20) sobre o envolvimento do Governador Melo na morte de Alexandre Gomes, integrante do movimento “Fora Melo”. O crime ocorreu no dia 13 de fevereiro de 2016.

“Alguns familiares da vítima me procuraram para apresentar a realidade do que tinha acontecido e entregaram vários documentos”, relatou a deputada.

De acordo com a deputada, a partir da leitura desses documentos do inquérito, foi percebido o envolvimento direto de Evandro Melo, irmão do Governador, e alguns policias militares.

Durante as revelações da deputada, ela afirmou ainda que a pessoa que atirou em Alexandre é um policial militar.

Finalizou dizendo que ” esse crime envolve o alto escalão do governo, o irmão do governador e outras pessoas. 

Veja os documentos:


Foto: Reprodução
 

Detalhes da entrevista do D24

Alexandre teria sido o autor intelectual de um protesto em que o militante Hinaldo de Castro Conceição, 20, jogou notas falsas de R$ 100 no governador José Melo, no dia 1º de fevereiro de 2016, quando ele se preparava para fazer seu discurso de reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa do Estado (ALE).

Um trecho do documento da PC, de maio de 2016, cita  que o ex-comandante teria  conseguido um quilo de cocaína para ser colocada na mochila de Alexandre para justificar uma prisão em flagrante do estudante, com o objetivo de coagi-lo a afirmar que a deputada Alessandra Campelo e o deputado José Ricardo (PT) teriam ordenado o protesto contra o governador. No entanto houve um desencontro e a viatura que iria prender Alexandre não o alcançou.

No relatório, também é citado que as investigações devem ser encaminhados ao presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas porque o caso envolve pessoas com foro privilegiado, no caso secretários de Estado, como eram, à época, Evandro e Marcus James.

Em outro trecho do documento a PC informa: “verificou-se que o comandante da Polícia Militar Coronel Marcus James Lobato Frota foi bastante citado no decorrer da apuração com relação a fatos criminosos gravíssimos e supostamente envolvido em organização criminosa, tráfico de drogas, fomento a usurpação da função pública, homicídio qualificado. Da mesma forma que o nome do Secretário de Governo de Estado Antônio Evandro Melo de Oliveira, irmão do governador José Melo”. 

De acordo com Alessandra, após ter acesso a informações sobre as investigações do crime,  ela  passou a receber ameaças. “Minha equipe está temendo por suas vidas e eu, por orientação do Ministério Público Federal (MPF), passei a andar em carro blindado. O que me disseram é que estas pessoas são muito perigosas”, afirmou a parlamentar.

Em março do ano passado, a polícia fez a reconstituição do assassinato de Alexandre. O estudante foi morto com um tiro de pistola calibre .40. Na época, o relatório do Instituto Médico Legal (IML) revelou que o corpo não tinha sinais de tortura. A cápsula da bala não foi encontrada e o celular do estudante foi furtado, de acordo com a polícia.

Ildercler, suspeito de ser o mandante do crime, foi presidente do Movimento Democrático Estudantil (MDE)  e cabo eleitoral de  José Melo, na eleição de 2014.  Na época, a polícia informou que, no dia 12 de fevereiro deste ano, por volta das 20h, Alexandre saiu de casa, na Avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, na zona sul, informando que iria resolver um problema. O corpo de Alexandre foi encontrado na Estrada do Puraquequara, em uma mata fechada, por uma testemunha, de 33 anos, que não teve o nome revelado pela polícia.

Além de Ildecler, o amigo dele, Thiago dos Santos Nascimento,  o cabo da PM Edmilson Pimentel Rodrigues, Carlos Henrique da Silva e Noel Oliveira Lima foram apontados pela polícia como principais suspeitos do crime.

Os representantes de entidades como a União Estadual dos Estudantes (UEE), União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e Diretório Central dos Estudantes (DCE-UEA) e de partidos políticos (PT, PCdoB e PDT), informaram, à época, que  iriam pedir agilidade dos órgãos de segurança para que imediatamente desse respostas a sociedade sobre o crime.

 

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