Terapia genética reverte perda de visão em pacientes com doença hereditária

RIO — Com o uso da terapia genética, cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiram reverter a perda de visão em pacientes vítimas da coroideremia, doença hereditária que provoca a degeneração da corióide, estrutura do olho localizada entre a camada esclerótica e a retina. A expectativa é que a técnica possa ser utilizada para tratar formas mais comuns de cegueira hereditária, como a retinite pigmentosa e degeneração macular.

A nova técnica envolve a injeção de um vírus no olho do paciente para distribuir bilhões de genes saudáveis que irão substituir o gene específico da coroideremia. Os resultados dos primeiros testes com humanos foram publicados nesta quinta-feira na revista “New England Journal of Medicine”. Dos seis pacientes que passaram pela terapia há quatro anos, apenas um, que recebeu doses menores, apresentou declínio na visão.

Para o controle do experimento, os pacientes receberam a injeção em apenas um dos olhos. A expectativa dos cientistas era que a terapia impedisse ou desacelerasse a perda de visão, entretanto, dois pacientes apresentam melhora significativa na visão do olho tratado, apesar do declínio do olho não tratado neste período. Outros três mantiveram a visão no olho tratado.

— Existiram questionamentos recentes sobre a eficácia da terapia genética a longo prazo, mas agora nós temos provas inequívocas que os efeitos de uma única injeção do vetor são sustentáveis — disse Robert MacLaren, líder dos estudos. — Mesmo uma pequena melhora na visão central desses pacientes pode dar-lhes considerável independência.

O pesquisador explica que a terapia genética aproveita as propriedades infecciosas do vírus para inserção de DNA em uma célula, sendo que o DNA do vírus é removido e substituído por DNA programado em laboratório para corrigir determinada falha no material genético do paciente.

— Restaurar a visão de forma permanente em pessoas com cegueira hereditária seria uma conquista médica notável — disse Stephen Caddick, diretor de Inovação na Wellcome Trust, financiadora da pesquisa. — Esta é a primeira vez que vemos o que parece ser uma mudança permanente na visão apenas após uma rodada de tratamento. É um passo real em direção a uma era em que a terapia genética faça parte do tratamento rotineiro desses pacientes.

O advogado aposentado Jonathan Wyatt, de 68 anos, foi o primeiro paciente do mundo a receber o tratamento. Ele sofre com problemas de visão desde os 20 anos de idade, mas, após a terapia, foi capaz de dobrar o seu nível de visão no olho esquerdo, que recebeu a injeção do vírus.

— Eu me sinto com sorte, privilegiado e honrado de fazer parte deste fantástico grupo de pesquisa. Eu sinto que apesar de eu ser a carne no sanduíche, minha vida está fazendo uma contribuição para ajudar outros — disse Wyatt. — Me tornou mais independente, eu acho que eu seria mais dependente, teria mais preocupação em pegar os trens por minha conta.

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