Laboratório que produz ‘pílula do câncer’ quer vender remédio

SÃO PAULO – A PDT Pharma, com sede em Cravinhos, no interior de São Paulo, não descarta vender cápsulas da fosfoetanolamina, conhecida como pílula do câncer. O laboratório, escolhido pelo professor Gilberto Chierice, detentor da fórmula da substância, é o único no país autorizado a produzir o medicamento. Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff publicou, em Diário Oficial da União, lei que permite pacientes diagnosticados com diferentes tumores obterem a pílula. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criticou a decisão, destacando que a lei “abre perigoso precedente”, já que libera a comercialização de uma substância que não teve estudos clínicos sobre sua eficácia.

— Temos a exclusividade dada pelos detentores da patente para poder produzir, mas tudo que está sendo feito hoje é somente para a pesquisa — frisa o responsável pelo laboratório, o professor Sergio Perussi Filho.

O PDT dará início à produção da substância em dez dias. A Furp (Fundação para o Remédio Popular), laboratório farmacêutico ligado à secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, irá finalizar o processo e encapsular 370 mil pílulas.

Perussi atenta para possíveis fraudes. Como já existe a fosfo como produto químico, ele lembra que somente Chierice sintetizou a substância.

— Não pode importar e vender. Tem que provar que foi feito em ambiente adequado. Se importasse, seria um produto diferente do que foi sintetizado pelo pesquisador — observa ele.

O PDT foi escolhido para esse processo, conta Perussi, pela parceria com os seis detentores da patente da substância.

— Eles têm confiança no nosso laboratório, nas pessoas envolvidas. Sou também pesquisador, e ele (Chierice) se sentiu bem nessa empresa, que é próxima da cidade dele — descreve o pesquisador, que não chega a um número exato de quantos profissionais estão hoje envolvidos no projeto: — Temos duas farmacêuticas, auxiliares, sete ou oito profissionais que analisam o processo de produção, fora a parceria com universidades e outras instituições.

PACIENTE COMEMORA

Quando soube que a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei, aprovada pelo Congresso, segundo a qual pacientes diagnosticados com diferentes tumores poderão obter a fosfo, a costureira Cecília Almeida, de 40 anos, sentiu como se seu oncologista estivesse dando a notícia de cura. Após retirada de parte da mama e cumprindo sessões de quimioterapia, ela vem brigando na justiça pelo direito de tomar o medicamento.

— Não consegui as pílulas. Me negaram duas vezes. Meu advogado disse que agora, com a lei, pode ser mais fácil — celebra ela, que descobriu a doença em agosto último.

Cecília acredita numa jogada meramente política da presidente, porém “muito inteligente”.

— Ela pegou bem na saúde do povo, que está um caos. E quem tem câncer, toma qualquer coisa — conclui a paranaense.

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