Em SP, ‘pílula do câncer’ está sendo produzida só para testes

SÃO PAULO – Estado onde está localizado o único laboratório que produz a fosfoetanolamina, São Paulo vai concentrar a “pílula do câncer” apenas para pesquisas clínicas. O primeiro lote para teste em mil pessoas terá 370 mil cápsulas. Segundo o secretário estadual de Saúde, David Uip, existe um contrato entre o governo do estado com o laboratório PDT Pharma para fabricação de “fosfo” para demanda de um teste de eficácia com seres humanos, e não para distribuição à população. A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei, aprovada pelo Congresso, segundo a qual pacientes diagnosticados com diferentes tumores poderão obter a substância. Com a sanção de Dilma, para obter a “pílula do câncer”, o paciente só precisará comprovar a doença com laudo médico e assinar um termo de responsabilidade. Mas ainda não existem laboratórios que fabricam a pílula para fins de tratamento.

– Não tenho a menor ideia de como fica a situação com esta decisão. O papel do estado de São Paulo, até o momento, é fazer este protocolo científico.Temos um contrato com a PDT, que foi escolhida pelo senhor Gilberto Chierice, para produzir as pílulas para o teste clínico com, no máximo, mil pacientes. Serão necessárias 370 mil pílulas. A PDT vai entregar a fosfoetanolamina sintetizada para a Furp (Fundação para o Remédio Popular) encapsular e, na sequência, iniciar o protocolo no Instituto do Câncer de São Paulo – explica David Uip.

Segundo o secretário, o protocolo de pesquisa para testar a eficácia da “fosfo” em doentes com câncer está pronto. A PDT, estipula o contrato, tem que entregar a substância ao governo nesta sexta-feira. – Uma vez entregue, a Furp consegue encapsular as 370 mil pílulas em poucas horas – diz David Uip.

O Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) informou que ainda não tem prazo para iniciar os testes. Os mil pacientes também não foram selecionados, mas os critérios de inclusão e exclusão no estudo já estão definidos.

Procurada pelo GLOBO na manhã desta quinta-feira, a PDT Pharma, que fica em Cravinhos, interior de São Paulo, ainda não se manifestou se vai cumprir o prazo nem se tem interesse e capacidade de produzir a substância comercialmente.

No fim de março, o laboratório do Instituto de Química de São Carlos da USP, onde era produzida a “pílula do câncer” para distribuição a dezenas de pacientes que conseguiram judicialmente o acesso às cápsulas, foi fechado. Foram concedidas, no ano passado, várias liminares determinando que a USP fornecesse a substância a doentes com tumores, ainda sem comprovação científica de sua eficácia e segurança como medicamento. O único funcionário responsável por sintetizar a “fosfo”, Salvador Claro Neto, foi deslocado para a PDT Pharma para a produção deste lote para testes no Icesp.

Atualmente, a USP não cumpre mais as ordens judiciais de fornecer a “pílula do câncer”. A USP informou, por nota, que não vai se manifestar sobre a decisão da presidente.

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