Combinação de drogas é capaz de eliminar câncer de pele agressivo

RIO — O melanoma é um tipo agressivo de câncer de pele, mas um novo tratamento renova as esperanças dos pacientes com a doença. Testes realizados no Hospital Royal Marsden, em Londres, sugerem que a combinação de dois medicamentos, o Ipilimumab e o Nivolumab, é capaz de destruir o tumor em 20% dos casos. A taxa de sobrevivência dois anos após o tratamento é de 69%.

Os testes ainda são preliminares, pois o tratamento foi realizado em apenas 142 pacientes, amostra considerada pequena, mas os resultados são animadores. No Brasil, o câncer de pele é o mais frequente dos tumores malignos, mas o melanoma é relativamente raro, com apenas 4% do total de neoplasias no órgão. Entretanto, ele é considerado extremamente agressivo pela alta possibilidade de metástase. Estimativas do Inca apontam que neste ano serão registrados 5.670 novos casos da doença. Em 2013, 1.547 pacientes com melanoma morreram no país.

As duas drogas permitem que o sistema imunológico do próprio organismo reconheça e ataque as células cancerígenas. Elas já são usadas para o tratamento do melanoma, mas em conjunto apresentam resultados mais efetivos. O Ipilimumad sozinho, por exemplo, tem taxa de sobrevivência após dois anos de 53% e nenhum caso de desaparecimento do tumor, contra percentuais de 69% e 20% na terapia combinada.

Por outro lado, os efeitos colaterais foram severos, e metade dos pacientes teve que parar o tratamento. Apesar disso, James Larkin, que comandou parte dos testes, considerou os primeiros resultados “encorajadores”. Um novo estudo, com amostra de 1 mil pacientes, está sendo realizado.

— É muito encorajador ver essa taxa de sobrevivência — disse Larkin, à BBC. — Será importante em termos de trabalhar os benefícios desses tratamentos no longo prazo, mas o estudo ainda é relativamente pequeno.

Vicky Brown, de 61 anos, foi diagnosticada em 2013 com melanoma malígno que já havia se espalhado para os pulmões e o seio. No fim daquele ano, ela começou o tratamento combinado.

— Ele atuou por cerca de um mês. Havia pedaços que eu podia realmente sentir e eles desapareceram rapidamente — contou.

Mas os efeitos colaterais foram severos, incluindo inflamações no fígado e no intestino. E um ano depois, o câncer reapareceu. Vicky está em seu segundo tratamento com a combinação do Ipilimumab com o Nivolumab, e já percebeu a redução dos tumores. O doutor Larkin destaca que, normalmente, quando um tratamento falha e o câncer retorna, a droga usada se torna ineficaz.

— Nós estamos lidando com algo diferente aqui — disse. — Essa combinação de drogas altera o equilíbrio do sistema imunológico. É extretamente encorajador que a repetição do tratamento com a combinação possa reintroduzir o reconhecimento pelo sistema imunológico. É como uma dose de reforço.

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