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Prefeito de Santa Izabel usava dinheiro da prefeitura com a amante e muita ostentação

Da redação | 18/05/2016 23:28

O milionário esquema de corrupção montado na Prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro por seu titular, Mariolino Siqueira (PDT), patrocinou seu romance com a secretária e representante Regina Flávia Dias, a ostentação de seu filho e nora, secretários e parente em viagens internacionais, joias, presentes e aquisição de bens de luxo.

Desvio de volumosas quantias dos cofres públicos também foi usado para pagar despesas em processos eleitorais para que Mariolino se mantivesse no cargo às custas de liminares judiciais.

Também serviu o dinheiro dos cofres públicos de Santa Isabel para bancar as vontades da ex-esposa de Mariolino em passagens aéreas para viagens supérfluas, como passar um fim de semana prolongado em estados do Sul e Sudeste do país.

Mariolino também se dava ao luxo de fretar aeronaves particulares para ficar à sua disposição e dos membros da quadrilha. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) fala em fretamento continuado de táxi aéreo para “deleite e conforto dos amigos do prefeito”.

Além disso, pagava passagens aéreas, por meio de agência de turismo, para viagens de lazer ou de “interesses diversos da administração municipal”. Tudo pagado com dinheiro público.

Uma dessas passagens é para uma mulher chamada Ivone. Confira a transcrição da conversa:

A ostentação se configura mais ainda quando Mariolino faz contratos de R$ 131,5 mil e R$ 186 mil com a CTA – Claiton Táxi Aéreo e com o piloto José Nelson Gouveia Júnior, respectivamente. O piloto é dono da agência de viagens Rio Purus.

Aponta o MPE que o dinheiro que saiu dos cofres da prefeitura bancou ainda terrenos e condomínios de luxo na capital e em outros municípios do Amazonas. Destaque para uma ilha particular comprada por Mariolino em São Gabriel da Cachoeira, município da fronteira com a Venezuela e a Colômbia.

Esses detalhes e uma vasta lista de outros da operação Timbó, que prendeu no último dia 10 o prefeito Mariolino Siqueira, Flávia Dias, Mariolino Siqueira Júnior e sua mulher Bruna Soraya Barbosa Oliveiras, além dos secretários municipais Sebastião Moraes (Finanças), Carlos Augusto dos Santos (Obras), João Amorim Ribeiro (Administração) e o taxista Raimundo Mendes Neto, o “Campeão”, compõem a denúncia da Procuradoria-Geral de Justiça, do Ministério Público do Estado (MPE-AM), ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), feita neste dia 16, segunda-feira.

Veja abaixo a denúncia, na íntegra.

Em mais de 100 páginas de uma investigação que juntou fotografias, gravações de conversas, reprodução de mensagens pessoais, planilhas e extratos de movimentação bancária, além de organograma montado pelo comando da operação Timbó, em que Mariolino aparece como o cabeça da organização criminosa, os detalhes e bastidores são revelados.

Mariolino comandava pessoalmente, segundo o MPE, todos os movimentos da organização e da seleção da equipe que saqueava os cofres de Santa Isabel, conforme demonstram as investigações e os depoimentos dos acusados.

Confira como agia cada um dos integrantes da quadrilha, conforme a denúncia do MPE:

Regina Flávia, A AMANTE – era a unidade receptora direta de movimentações bancárias das contas da prefeitura. Era beneficiada por sua relação íntima com o prefeito Mariolino, romance que lhe garantiu a representação de Santa Isabel em Manaus. Por ela passou grande parte do dinheiro desviado.

A Procuradoria-Geral de Justiça pede a conversão de sua prisão de temporária para preventiva.

Mariolino Siqueira, O ENXADRISTA – agia como jogador de xadrez, movendo e controlando estrategicamente as suas pedras no tabuleiro. Planejava, escolhia e nomeava os funcionários públicos que iam atuar nos desvios de recursos públicos. De sua “engenharia criminosa” saiu o seu enriquecimento ilícito, assim como dos demais integrantes da organização.

Carlos Augusto dos Santos, O LOBISTA DA MALA E PRÉ-CANDIDATO A PREFEITO – se passando por engenheiro, com diploma falso, foi nomeado secretário de Obras. Era o encarregado de transportar grande quantidade de dinheiro em espécie desviado. Fazia contatos com empresários interessados em participar dos esquemas fraudulentos para desviar dinheiro público do município.

Carlos Augusto era o homem de confiança de Mariolino, apresentado em vários lugares do município como o seu sucessor para as eleições de outubro.

O secretário de Obras e homem da mala de dinheiro de Mariolino caiu em desgraça quando foi descoberto que exibia um diploma falso de engenharia, curso no qual teria se formado em março de 2013.

Denunciado por falsidade ideológica, acabou preso antes da operação Timbó. Com novo mandado, agora pela participação ativa na quadrilha de Mariolino, Carlos Augusto foi preso de novo.

No MPE, voltou a alegar direito a prisão especial pelo curso superior que dizia possuir. Nova consulta à universidade Unisinus, onde ele teria se formado, teve como resposta do reitor: “… inexistência de registros no nome desse indivíduo”.

Bruna Soraya, O CANAL – mulher do filho de Mariolino, ela era o terceiro escalão da quadrilha. Coordenando a Casa de Apoio da prefeitura em Manaus, mantinha o canal aberto para escoamento dos recursos públicos desviados. Despesas da casa eram usadas para justificar transações bancárias, com o dinheiro passando por suas contas pessoais emprestadas para esse fim. Além disso, guardava os bens adquiridos e arranjava terceiros para colocar em seus nomes.

Raimundo Neto, A MULA – taxista chamado de “Campeão” levava altos volumes de dinheiro vivo para entregar a Bruna Soraya.

Mariolino Júnior, O CONTADOR – sem ocupar cargo público, agia como contador da prefeitura e em conjunto com os demais envolvidos para desviar e usar os valores públicos. Por suas mãos passava dinheiro não contabilizado da quadrilha, como os R$ 246.810,00 encontrados em sua casa no dia da operação Timbó.

Rombo milionário

A quadrilha foi desarticulada pelas investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco/MPE), que apontaram o desvio de pelo menos R$ 10 milhões para contas pessoais de Mariolino e dos envolvidos.

“É dDenúncia MPEe uma afronta imensa. Apropriar-se do recurso público já é absurdo, mas ele também mexia nos recursos destinados ao pagamento de servidores. Ele sempre deixou meses atrasados. Os recursos existiam para pagar, mas eles estão sendo subtraídos para proveito deles próprios”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro,  no dia da operação.

Santa Isabel do Rio Negro, em que pese sua riqueza e beleza natural, é um dos municípios mais miseráveis do país, estando na 60ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 62 do Amazonas e na 5555ª do pais.

As ações eram coordenadas para saquear os cofres do município em crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraudes e atos de corrupção, aponta o MPE, o que levou a um prejuízo de mais de R$ 10 milhões para Santa Isabel.

Na denúncia ao Tribunal de Justiça, o procurador Fábio Monteiro pede que a prisão temporária seja agravada para prisão preventiva, o sequestro de bens adquiridos ilicitamente, entre outras penalidades.

Íntegra da denúncia da PGJ ao Tribunal de Justiça do Amazonas

Matéria do Portal BNC 

Dinheiro de Santa Isabel bancava caso de prefeito com amante e ostentação do crime

 

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