Usiminas vai cortar mais 500 funcionários em Cubatão

RIO – Após cortar cerca de 2 mil funcionários na unidade de Cubatão no início do ano, a Usiminas vai cortar de mais 400 a 500 pessoas, informou nesta quarta-feira o Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista. Ao fim dos cortes, que ocorrerão até 15 de julho, a Usiminas terá reduzido em 65% sua força de trabalho em Cubatão, segundo cálculos do sindicato.

Considerando apenas funcionários diretos, a siderúrgica empregava aproximadamente 4.500 pessoas em Cubatão em outubro de 2015, quando foi anunciado que seriam feitos “ajustes” na unidade. De lá para cá, 2.400 empregados, entre metalúrgicos e engenheiros, foram dispensados. Com mais 500 demissões, restarão na unidade 1.600 funcionários diretos.

De acordo com Florêncio Resende de Sá, presidente do sindicato, houve uma reunião na terça-feira com representantes da Usiminas, na qual a empresa informou que seriam feitas “adequações”. As demissões começaram na própria terça-feira, segundo Sá. Nas contas dele, além das demissões diretas, já foram demitidos seis mil terceirizados.

— Eles estão demitindo no momento que estão aumentando produção (de laminados). Não dá para entender isso — afirma Sá.

EMPRESA COMPRA AÇO DA CSA

A empresa confirmou a segunda onda de dispensas, embora não tenha detalhado o número de cortes, e alegou “agravamento da crise de demanda” por aço. Nos cinco primeiros meses do ano, o consumo de aço despencou 25,8% em relação a igual período de 2015, que por sua vez já havia apresentado retração de 10,9% na comparação com o período de janeiro a maio de 2014, disse a Usiminas em nota.

O anúncio das demissões ocorre menos de um mês depois da eleição do novo presidente da empresa, Sergio Leite, que assumiu a Usiminas com o discurso de impulsionar a laminação em Cubatão. A produção de aço na unidade está parada, mas os dois laminadores (máquinas que transforam placas de aço em bobinas, um produto siderúrgico) estão ativos.

A Usiminas está comprando placa da CSA, siderúrgica localizada em Santa Cruz (Zona Oeste do Rio) e usando-a como matéria-prima nos laminadores. A expectativa é voltar ao patamar de produção de 120 mil toneladas mensais no segundo semestre, com foco na exportação. Hoje, a produção está em torno de 50 mil toneladas por mês, segundo o Sindicato Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista.

NIPPON PERDE NA JUSTIÇA

A Usiminas está em meio a uma crise que tem a queda de demanda por aço como pano de fundo e a disputa de seus principais acionistas, a japonesa Nippon Steel, e a ítalo-argentina Ternium, pelo comando da empresa.

Ontem, a Nippon teve negado, em segunda instância, seu pedido de barrar a eleição de Sergio Leite. A ação havia sido protocolada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais há alguns dias. O executivo, funcionário de carreira da Usiminas, foi eleito com votos da Ternium e dos representantes dos funcionários e da Previdência Usiminas.

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