Teto de gastos é o caminho para restaurar economia, diz Meirelles

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reforçou nesta quinta-feira que o estabelecimento de teto para os gastos públicos proposto por sua equipe é o caminho para a restauração da confiança na economia. Durante palestra em evento da Febraban nesta quinta-feira, Meirelles fez um balanço do trabalho já feito na área econômica do governo interino. Com afirmações em linha com o desejo do presidente Michel Temer de colocar em pauta uma agenda mais positiva, o ministro frisou que “não podemos começar quebrando o país”.

— Eu acho que uma grande crise é uma grande oportunidade. Este é o momento em que a sociedade demanda soluções — afirmou, acrescentando que o cenário abre mais espaço para colocar propostas aos parlamentares.

Num tom bem coloquial, ele explicou à plateia de 400 pessoas que a proposta de emenda constitucional (PEC) que estabelece o teto dos gastos terá efeito de longo prazo e é a chave para a retomada do crescimento. Segundo ele, em avaliações otimistas, a PEC deve ser aprovada em dois ou três meses. Nas mais negativas, a previsão é de haver aprovação até o fim do ano, com as medidas entrando em vigor em 2017.

Em suas palavras, “o governo precisa mostrar que pode controlar suas despesas”. Meirelles acrescentou que o País precisa de “soluções fortes”, e não de medidas emergenciais que podem ser revogadas a qualquer momento.

— Primeiro avaliamos o verdadeiro deficit e aprovamos no Congresso os R$ 170,5 bilhões. A abordagem seguinte foi propor os gastos públicos para os próximos 20 anos. Muito longe? Mas tem de ser — comentou.

Meirelles citou que daqui em diante os gastos terão crescimento real zero, já que o aumento não poderá ultrapassar o índice de inflação do ano anterior. Segundo ele, de 1997 ate 2015 a despesa subiu 6% acima da inflação ao ano. Já, entre 2007 e 2015, as receitas aumentaram mais de 50%.

Ele aproveitou para também falar de passagem sobre a necessidade de haver a reforma previdenciária e mudança nas regras do pré-sal.

Nem a 1h30 de atraso do ministro foi capaz de espantar a plateia, ansiosa pela apresentação de Meirelles. O atraso ocorreu por conta do mau tempo em São Paulo que fechou os aeroportos de Congonhas e Guarulhos.

— Infelizmente, ainda não conseguimos resolver a questão meteorológica aqui em São Paulo — brincou o ministro ao fim de sua palestra.

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