Temor de alta de juros nos EUA faz dólar subir mais de 1%, a R$ 3,528

SÃO PAULO – O dólar comercial opera em alta nesta quarta-feira influenciado pelo cenário externo e por uma nova atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio. Às 13h46, a moeda americana era negociada a R$ 3,526 para compra e a R$ 3,528 para venda, uma alta de 1,03% ante o real – na máxima já atingiu R$ 3,557. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi para o terreno positivo, com alta de 0,56%, aos 51.121 pontos.

Pesa para esse mau humor o aumento da percepção de que o Federal Reserve (Fed, o bc americano) voltará a elevar a taxa de juros americanas, o que tente a afetar as Bolsas e as moedas de países emergentes. Depois de um longo período de taxa zero, o Fed fez uma elevação em dezembro, deixando o juro entre 0,25% e 0,50%. Agora, aumenta a aposta de uma nova alta nas reuniões de junho ou julho e uma outra mais para o final do ano.

— Integrantes do Fed já vinha sinalizando uma alta. Além disso, a inflação de abril foi a mais alta em 3 anos e dois meses, em 0,4%. Isso é um alívio para uma das dificultadoras do aumento de juros. Esses dois fatores fortalecem a leitura de que estamos caminhando para dois aumentos de juros ainda neste ano — explicou Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor.

Essa expectativa de alta de juros faz com que os investidores globais busquem dólar e vendam outros ativos de risco, como moedas e ações. “Hoje esse efeito acabou incidindo sobre os mercados da Ásia e, a Europa também ajusta parcialmente para as declarações dos dirigentes do Fed (que sinalizaram a alta). O dólar também mostra valorização frente outras moedas do mundo e agrega maior desequilíbrios na sessão de hoje”, afirmou, em relatório, Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais.

O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, tem alta de 0,16%.

Internamente, o BC fez um leilão de 20 mil contratos de swap cambial reverso, que equivalem a uma compra de moeda no mercado futuro. A autoridade monetária conseguir colocar a oferta integralmente, em um total de US$ 1 bilhão, o que também ajuda na valorização do dólar. Na terça-feira, a divisa chegou à máxima de R$ 3,529, mas perdeu força e fechou em queda de 0,34% ante o real, a R$ 3,492. A autoridade monetária tem feito intervenções toda vez que a moeda fica abaixo de R$ 3,50.

BANCOS REAGEM

O Ibovespa passou para o terreno positivo após a abertura dos negócios no mercado americano. A reação se deu nos papéis do setor bancário, que possuem o maior peso na composição do Ibovespa. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, respectivamente, 2,84% e 1,87%. O BB sobe 2,37%.

Já as ações ligadas à commodities estão em queda. Os papéis preferenciais (PNs) da Petrobras registram queda de 1,05%, cotados a R$ 9,40, e os ordinários (ONs) recuam 1,29%, a R$ 12,24, acompanhamento o mercado internacional do petróleo – o barril do tipo Brent cai 0,22%, a US$ 49,17% o barril. Também registra queda significativa a Vale. A PN recua 0,88% e a ON tem desvalorização de 0,46%.

No exterior, os principais indicadores do mercado acionário, que estavam em queda, apresentaram uma melhora após a abertura dos mercados nos Estados Unidos. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, tem leve alta de 0,39%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, sobe 0,37%. Já o FTSE 100, de Londres, reduziu a queda para 0,15%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones sobe 0,23% e e o S&P 500 tem variação positiva de 0,14%.

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