Temer quer se aproximar de entidades sindicais

BRASÍLIA – Após anos de um relacionamento difícil entre governo e indústria, o presidente interino, Michel Temer, quer estreitar os laços com o setor que mais sofre com a crise. Além de chancelar medidas que serão tomadas pela equipe econômica para reativar o setor produtivo, o presidente quer estimular a reaproximação do governo com entidades patronais e com sindicatos. E, assim, fazer laços com movimentos sociais: uma inquestionável desvantagem em relação à gestão da presidente afastada, Dilma Rousseff.

A ideia, segundo interlocutores de Temer, é promover uma “oxigenação” das agremiações de classe. Ou seja, apoiar novas chapas de partidos diferentes da base de apoio do governo afastado. Dessa forma, haveria uma substituição de representantes do PT por outras legendas, e, assim, o governo Temer conquistaria uma base de sustentação maior.

— Não dá para ter sindicato de um só partido — resumiu uma fonte próxima ao presidente.

Um dos responsáveis por essas mudanças é o ex-ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso, João Henrique Almeida Sousa. Na semana passada, ele foi nomeado para a presidência do Sesi, o Serviço Social da Indústria, cargo que era ocupado pelo ex-ministro petista Gilberto Carvalho, responsável pela articulação do antigo governo com os funcionários do setor.

Procurado, Sousa disse que pretende ser um “intermediador de demandas” que retomem a confiança no crescimento do país. Declarou que será responsável por fazer o diálogo de forma mais rápida para tentar equacionar as demandas do setor:

— Nossa meta é melhorar as relações entre governo,empresários e trabalhadores.

A expectativa para este ano é que o setor industrial amargue retração de 6%. A massa de desempregados e o fechamento de fábricas preocupam. Além disso, a avaliação da equipe econômica é que o investimento deve demorar a voltar, por causa da capacidade ociosa nas empresas.

A preocupação do governo é aumentar o otimismo do mercado, e João Henrique deve ser um dos canais de motivação.

O diálogo do setor também tem se dado de outras formas, já que a articulação com o Ministério do Desenvolvimento murchou após a pasta ser fatiada. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já agiu para garantir acesso direto ao Planalto e pleitear mudanças para que o setor volte a crescer. O presidente da entidade, Robson Andrade, entregou pessoalmente a Temer um documento com 36 propostas para reativar a indústria.

Além de pedidos de reformas, o setor quer cinco mudanças em tributos como a ampliação de prazos de recolhimento de IPI e PIS/Cofins. Reivindica ainda alterações nas relações de trabalho, melhorias na infraestrutura, no comércio exterior e no financiamento às empresas.

Foram feitos, ainda, pedidos para melhorar a segurança jurídica e regulação e propostas para aprimorar o ambiente de inovação no país.

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