Sem atuação do BC, dólar cai a R$ 3,56; Bolsa recua com exterior

RIO – Em sessão sem intervenção do Banco Central (BC), o dólar comercial opera em queda de 0,30% nesta segunda-feira, cotado a R$ 3,559 para compra e a R$ 3,561 para venda. Nas últimas semanas, a autoridade monetária vinha comprando dólares no mercado futuro para evitar desvalorização intensa da moeda. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também registra desvalorização, com o índice de referência Ibovespa caindo 1,54%, aos 52.092 pontos, acompanhando as Bolsas externas.

Na última sexta-feira, os mercados no Brasil tiveram pregão de ajuste, com o dólar ganhando força ante o real e encostando nos R$ 3,60 e a Bolsa terminando os negócios em terreno negativo. A moeda americana fechou cotada a R$ 3,572 na venda, alta de 1,10%. Na semana, a valorização acumulada ficou em 1,30%.

Os juros futuros recuam com os investidores avaliando a possibilidade de Henrique Meirelles ser nomeado ministro da Fazenda em eventual governo Michel Temer — os dois se reuniram no fim de semana — e com a queda das expectativas de inflação registrada na pesquisa Focus, do BC. Ex-presidente do BC de Lula, Meirelles é talvez o nome que mais agrada aos investidores na composição de um possível governo.

O contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2017 caem de 13,52% ao ano para 13,48%; o com prazo em 2021 recua de 12,9% para 12,76% ao ano. Os juros futuros refletem a expectativa do mercado financeiro para a taxa básica de juros, a Selic, nas datas de vencimento dos contratos. hoje a Selic está em 14,25% ao ano.

— Na Bolsa, o movimento é mais de realização de lucros, após os ganhos das últimas semanas e seguindo a tendência dos mercados externos. No ano, a Bolsa ainda acumula alta de 20%. O mercado agora está de olho na composição de eventual governo Temer e segue ainda com o pé atrás esperando os embates tensos que devem ser gerados pela defesa da presidente Dilma daqui para frente — afirmou Alfredo Sequeira Filho, presidente da assessoria de investimento DNA Invest. — No dólar, os investidores estão tentando forçar a moeda até o terreno de R$ 3,50 para ver se o BC voltará a atuar comprando a divisa no mercado futuro.

Em Wall Street, o índice Dow Jones cai 0,57%, enquanto o S&P 500 tem baixa de 0,44%. O Nasdaq recua 0,29%. Os investidores operam com cautela, no início de uma semana que tem reunião de bancos centrais nos EUA e no Japão. Na Europa, as ações de mineradoras e companhias do setor de energia puxam os índices para baixo. O Euro Stoxx 50, índice de referência do continente, cai 0,85%, enquanto a a Bolsa de Londres tem baixa de 0,72%. Em Paris, o pregão cai 0,57%, e em Frankfurt, 0,92%.

Entre as ações brasileiras, as de maior peso na Bolsa operam em queda. A Petrobras ON recua 2,94% (R$ 12,52), e a PN tem baixa de 1,74% (R$ 9,58). A Vale é a maior razão para a queda do Ibovespa, com seu papel ON registrando baixa de 5,27% (R$ 18,31), enquanto o PNA cai 5,42% (R$ 14,48). A companhia reage à queda do minério de ferro nos últimos dias e à realização de lucros dos seus acionistas, depois de a mineradora ter acumulado valorização de 35% no mês até a sexta passada diante de sinais de melhora da economia chinesa.

No setor bancário, o Banco do Brasil ON cai 2,39% (R$ 20,76), e o Bradesco PN cai 2,54% (R$ 24,90). O Itaú Unibanco PN recua 1,35% (R$ 31,25), enquanto a unit do Santander desvaloriza-se em 2,19% (R$ 16,90).

A Usiminas PNA despenca 8,46% (R$ 2,38) após a siderúrgica ter reportado prejuízo líquido de R$ 151 milhões no primeiro trimestre e queda de 25% nas vendas de aço na comparação com o quarto trimestre.

Na ponta contrária do pregão, a Oi ON dispara 13,41% (R$0,93) depois que a companhia ter anunciado acordo de confidencialidade para que a Moelis & Company toque a reestruturação de sua dívida.

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