Secretário-geral da Opep diz que Irã pode se juntar a acordo sobre petróleo

VIENA – O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Abdullah al-Badri afirmou nesta segunda-feira que o Irã pode se juntar no futuro a outros produtores de petróleo que planejam congelar a produção do produto nos níveis recorde de janeiro para segurar os preços. Os produtores da Opep e países não membros do grupo devem se reunir em 17 de abril, no Qatar, para discutir tal acordo.

Entretanto, o Irã tem mantido o discurso de que irá aumentar suas exportações após a suspensão das sanções ocidentais contra o país, que aconteceu em meados de janeiro. O ministro de petróleo do país, Bijan Zanganeh, afirmou que a proposta de congelamento é “ridícula” devido à ambição do país de exportar mais.

Mesmo assim, o secretário-geral da Opep não perde as esperanças.

— Espero que o resultado do encontro seja positivo — disse Badri, em coletiva de imprensa em Viena. — Eles têm algumas condições em relação à produção deles — afirmou, referindo-se ao Irã e acrescentou:

— Talvez no futuro eles se juntem ao grupo.

Ele afirmou também que ainda não sabe se o país comparecerá ao encontro que ocorrerá em abril. Os comentários de Badri sinalizam que a posição do Irã não acabará com o acordo mais amplo sobre o congelamento. Exportadores de petróleo do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, afirmaram que todos os principais produtores deveriam participar.

Badri afirmou acreditar que o preço do petróleo — que, nesta segunda-feira, era de pouco mais de $41 por barril, acima do menor nível em 12 anos, cerca de $27, em janeiro — tenha chegado ao seu ponto mais baixo, e que ele aumentaria se um excesso de oferta fosse evitado.

— Espero que a tendência de aumento de preços se mantenha — afirmou. — Não acho que o preço ficará alto, mas ele deve alcançar um nível moderado. No momento, o único problema que eu vejo é o excesso de estoque, com cerca de 300 milhões de barris a mais do que na média dos últimos cinco anos. Se nós conseguirmos nos livrar desse excesso, o preço voltará ao normal.

Para Badri, a queda na produção de petróleo de países de fora do grupo e a diminuição de perfuração nos Estados Unidos mostra que a estratégia da Opep está funcionando. Mesmo assim, alguns delegados da organização afirmaram que outras medidas, como corte de oferta, poderiam ser tomadas após o congelamento. Perguntado, Badri afirmou que ainda é cedo para dizer se o corte seria necessário:

— Vamos congelar a produção e ver o que acontece. Depois, podemos falar dos próximos passos — declarou.

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